05

Jan23

Maria do Rosário Pedreira

Antes de férias, desejando a todos boas festas, contei que iria estar fora e que, entre outras coisas, contava ir visitar uma exposição. Apesar da chuva torrencial que correu lá para os lados onde estava, o Minho, cumpri a promessa que a mim mesma fiz e desloquei-me ao Porto para ver quadros da pintora portuense Aurélia de Sousa no Museu Soares dos Reis. Lera muitos encómios à mesma nos suplementos culturais portugueses e, não conhecendo a obra senão superficialmente, estava muito curiosa. E, sim, gostei; mas estava à espera de um número de quadros bem mais significativo e, sobretudo, não apreciei o desenho da exposição e ainda menos a opção de misturar quadros de outros pintores contemporâneos com os da artista, estando a informação da autoria apenas no folheto que nos entregavam, e não perto dos próprios quadros. Mas, sobre arte, fiquei ainda mais negativamente impressionada com a quantidade de obras pertencentes à colecção da Secretaria de Estado da Cultura de que há muito se ignora o paradeiro (são quase cem, meus amigos!) e cujo inquérito, solicitado, se não erro, pela ex-ministra Graça Fonseca em 2020, acaba de ser arquivado... Eu juro que não tenho nada em minha casa, mas quem se terá aboletado com o que não lhe pertencia?