por talesforlove, em 01.05.19

Alguns Poemas

"Mitocôndrias", Por Viviane P. (Brasil)

É até estranho falar que  existem dentro de mim coisas tão pequeninas.

Elas se ajeitam e  fazem tudo acontecer em minhas  células.

Sem que eu o sinta,  enquanto  aqui fora a vida  acontece também.

Não, não  é simples assim, a meu ver....

Há um conjunto de fatores que  transforma esta organela celular em algo importante.

Nesta  energia que meu corpo precisa tanto!

Engraçado isto.

Pensei que a energia de que falo fosse fruto de meus pensamentos!

Na verdade, as tais  mitocôndrias é que são as baterias do meu viver!

Sim, estes  fios granulados , dinâmicos, sempre metabolizando ,

Quebrando carboidratos  e ácido graxos geram energia em mim!

Sim! Estão  relacionadas com a produção de energia para a célula,

Um processo conhecido como respiração celular.

E, até nos gametas estão, pois   garantem   sua capacidade de locomoção.

Mas, afinal, e eu?  O que sou  então?

Nada mais  que um indivíduo  que cria confusão,

Que cria medo, vingança, ódio e paixão!

Quisera ser mitocôndria  no mundo, energia geradora de vida,

No trânsito, no trabalho,  em casa,  na avenida......

Mas, como qualquer um  inserido no contexto social,

Me limito , entre acordar e dormir,  a fazer o mal.

Com tanto estrutura  em mim ( como lamento),

  Não sou capaz  de gerar energia para o bem!

Pobre de mim, ser civilizado,

Procurando mitocôndria onde ninguém tem!

Um poema por Regina G. (Brasil)

O silêncio tece o tempo.

Mansos os rebanhos,

plangentes os chocalhos.

A melancolia funde-se com o pó

que se evola do chão.

              Esparsa, a sombra dos arvoredos.

Muros de xisto, centenários,

   ostentam flores róseas nos silvedos,

anunciando as negras amoras

que aguardam o Verão.

Colho uma.

Tépido, um fio de sangue 

desponta na mão.

                in Quando o mel escorre nas searas

"IDAI!", por Emerson Zulu (Moçambique)

Porquê devastas a minha terra
E me torturas depois de ter sido palco de uma desnecessária guerra
Porquê tu matas as cenas?
Tu me darás as pernas?
Porque os seus ventos fortes
À pista do zinco desgovernado, a elas amputaste

E daí se amo ficar a Beira do mar
Tinhas é que me atirar por baixo da árvore?
Ou lançar sobre mim a parede que jurei erguer para oprimir a minha vergonha!

IDAI!
Ainda evocas a fúria das águas
Para arrastar os corpos por si estatelados no seu grito de mágoa
Veja a minha CHIVEVE, para um passeio já não serve
Veja a minha MUNHAVA
A sua cumplicidade já não caça o Mbava

IDAI!

Sabes tu o valor de uma vida?
Vejo me em dívida!
Porque a minha colheita tu e as águas destruíram
Como farei então para pagar a dívida que os outros contraíram
Te lembraste de ventanejar com força nos bolsos dos políticos
Como na maternidade o fizeste?

Sem vergonha…!

Aos mortos mataste continuamente
Nem em casa mortuária te convenceste
Ao corpos as paredes derrubaste
Lá vai o pranto malvado e veloz
Exumar as sepulturas
Destruir as infra-estruturas
E ainda apagar a Luz
Para no sombrio envergonhares a nossa espécie

Inundações!
Vocês serão a educação para minha geração?
Porque nesta noite te fizeste de mansinho para melindrar o meu coração.
Acaso devo eu a ti alguma justificação?
Veja quão descomunal é o meu aparecimento
De que te ergues tu com o nosso sofrimento?

Vai para onde não desabroches mais
Vai que a ti mesmo te sufoques da sua fúria
Para que a minha nação outra vez sorria.

Um Segundo olhar sobre “Rosa Branca Floresta Negra”

O Livro “Rosa Branca Floresta Negra” também suscita interesse porque tem uma dimensão ecológica que desde logo cativa e envolve, começando pelo seu título que nos dá uma pista sobre a sua apologia implícita de defesa da natureza, que nos embala ao longo das nossas vidas tal qual ao longo desta história. É verdade que, aquando da instrução militar dada a John, o aviador norte-americano caído na Floresta Negra, se refere que a natureza tanto nos pode ajudar como voltar-se contra nós e por isso devemos estar sempre atentos, e também é verdade que se nomeia a guerra como um “animal feroz”, mas é a esta natureza em parte “neutra” em parte “benévola” que devemos as nossas vidas.

A Rosa Branca não é aqui apenas um nome puramente estético, cativo da beleza que nomeia, nem sequer unicamente um símbolo no contexto histórico das vivências que a autora nos propõe no decorrer temporal desta obra. É muito mais que isto, é mesmo algo intemporal. Na Antiguidade, era uma flor consagrada a deusas da mitologia, como Afrodite, a deusa Grega do amor, que seria Vénus para os Romanos. Afrodite teria nascido da espuma do mar e esta tomou a forma de uma rosa branca, significando pureza e inocência. Mais tarde, durante a Idade Média, a rosa, independentemente da sua cor, ao ser colocada no teto da sala de reuniões significaria o segredo relativo a tudo o que ali fosse falado. Atualmente, pode significar charme, humildade, pureza, verdade, segredo, jovialidade, sendo para a Igreja, símbolo da Virgem Maria. Sem que seja revelado o porquê de termos Rosa Branca no título do livro, podemos já tentar adivinhar o motivo e acreditar que ele é positivo. Todavia, não o revelarei aqui.

A Floresta Negra deve o seu nome ao verde-escuro dos seus pinheiros, o qual não evita a beleza da sua paisagem, garante quem a já visitou pessoalmente, e não emocionalmente, como a maioria de nós. Trata-se de um local com mística e inspirador de alguns contos tradicionais muito antigos. Esta floresta, em pleno Inverno, não irá dar alimento a Franka e John, mas sim abrigo, ou seja, permite-lhes preservar a vida e mesmo a neve e o gelo ajudam a camuflar a sua existência vulnerável e quase invisível. E esta observação é mesmo assim, porque, este não é um livro que se pretenda afastar da realidade; é a própria autora que logo no início nos diz que a narrativa é inspirada em acontecimentos reais, embora alguns factos e datas tenham sido alterados em seu benefício.

Assim, seres vivos como a rosa e os pinheiros da floresta, são elementos fundamentais desta história, por vezes mais aventura, por vezes mais romance. Biologicamente são-nos complementares, pois libertam o oxigénio que nós “consumimos” e consomem o dióxido de carbono que nós “produzimos”. Emocionalmente são-nos benéficos, na medida em que nos amparam nos momentos de maior debilidade, caso tenhamos a oportunidade ou bênção de os ver. Nesta obra, homens e plantas surgem num mesmo contexto histórico, ao mesmo nível de reflexão e esperança num futuro de paz e serenidade. A confiança entre estranhos e entre homens e natureza, em tempos de guerra, é também central neste livro, e a sua construção surge de forma gradual, tal qual o fim do Inverno e das neves, e é por tudo isto que este livro, na sua simplicidade e profundidade, se revela fascinante.

Alguma Bibliografia:

ASTROCENTRO (Acedido 16 Abril 2019); “Significado de Rosa Branca”; https://www.astrocentro.com.br/blog/bem-estar/significado-rosa-branca/

RETRATOS E RELATOS (Acedido 16 Abril 2019); http://retratoserelatos.com/quem-tem-medo-do-lobo-maulobo-mau/

(2/2) Dedicado ao meu Amigo André Mendes

Saxophonist Amy Dickson - Philip Glass' Violin Concerto No 1. - Exclusive C Music TV video

O link: https://www.youtube.com/watch?v=ZdUWPA_AX6o

Até breve.