Fotografia da minha autoria

fui contando os abraços que não te dei

encaixilhando-os num pedaço de memória

é tão grande o vazio

o fosso que se entranha

naquilo que é o nosso meio de sobrevivência

e eu que sempre quis o silêncio

os olhares que conversam mais

as palavras que ocupam só o espaço necessário

dou por mim a olhar pela janela

a pedir que o teu choro irrompa

a neblina cerrada da cidade

e me desperte deste torpor

que desceu à terra contigo

as flores continuam a secar na jarra

porque já não há alguém que as regue