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Abr24

Maria do Rosário Pedreira

Embora no cinema seja bastante comum encontrar actores e realizadores em várias gerações da mesma família (os Coppola), na literatura os casos são bastante mais episódicos. Claro que não podemos esquecer os dois Alexandres Dumas (pai e filho), as três irmãs Bronte, ou mesmo o par de escritores britânicos de grande qualidade: Kingsley e Martin Amis (pai e filho). Mas, investigando mais a fundo, aparecem-nos algumas famílias de escritores bastante curiosas como a da autora de Frankenstein, Mary Shelley, que é filha de dois escritores e filósofos (Mary Wollstonecraft  e William Godwin) e casada com o poeta romântico Percy Shelley. Também o ficcionista Henry James teve dois irmãos escritores (Alice, que se dedicou à diarística, e William, autor de ensaios na área da psicologia e fundador do pragmatismo). A autora de A Cor Púrpura, Alice Walker, teve uma filha escritora e activista, Rebecca; o grande cronista brasileiro Luís Fernando Veríssimo é filho de Erico Veríssimo. Stephen King, além de ter uma mulher escritora, tem dois filhos que escrevem, embora não tenham a reputação do pai. E o mesmo aconteceu a vários escritores famosos como H.G. Wells, John Le Carré, Updike, Cheever ou Somerset Maugham, cujos filhos se dedicaram de algum modo à escrita (de livros, documentários ou guiões), mas nunca alcançaram a notoriedade dos pais. Por cá, Mário de Carvalho tem duas filhas escritoras, uma romancista (Ana Margarida de Carvalho), outra poeta (Rita Taborda Duarte). E, de há alguns anos a esta parte, Gonçalo M. Tavares viu o seu irmão José Gardeazabal (apesar dos nomes diferentes, basta olhar para ambos para ver as semelhanças) começar a publicar com grande regularidade. A escritora Hélia Correia é a companheira do poeta Jaime Rocha e, na geração mais nova, repete-se o caso com os poetas Inês Dias e Manuel de Freitas e com os irmãos Lucas Pires (Jacinto e Simão, que são filhos de Francisco Lucas Pires). Não sei se me esqueci de alguém...