15
Mar21
Maria do Rosário Pedreira
Fez no sábado um ano que vim para casa encerrar-me por causa do vírus (eu e mais de metade dos portugueses). Já tinha passado uma semaninha de reclusão quando se provou que Luis Sepúlveda estava infectado e tinha vindo de Portugal uns dias antes, mas dessa vez o Coronavírus ainda estaria para chegar à pátria lusa. O 13 de Março é a data que está na minha memória como o princípio do terror e, simultaneamente, do teletrabalho. Em Agosto, passei a ir com máscara e cuidado à editora, mas eram ainda muitos os colegas que continuavam a trabalhar a partir de casa e alguns deles nunca abandonaram o lar, indo apenas esporadicamente à empresa. Muita coisa mudou nas nossas vidas pessoais e profissionais. Em 2020, o Prémio LeYa acabou por ser adiado, pois não havia ninguém para abrir envelopes (e sabia-se lá se o vírus não vinha dentro deles) e poucos eram os concorrentes que, no primeiro confinamento, tinham a coragem de quebrar as ordens de recolhimento obrigatório e pôr-se na fila dos Correios para mandar os seus originais. E, neste segundo período de encerramento, é o Prémio Literário José Saramago que salta para 2022. Como houve muitos lançamentos de livros adiados por conta do fecho de livrarias, a Fundação Círculo de Leitores, promotora do prémio desde o final dos anos 1990, quando Saramago venceu o Nobel, explica que é mais sensato passar a entrega do prémio para 2022 pois assim a próxima edição coincidirá com o centenário do escritor, o que realmente faz sentido. Em Outubro, espero, será conhecido mais um vencedor do Prémio LeYa. Dizem-me que os originais deste ano já começaram a chegar. Esperemos que não haja mais impedimentos até lá.