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Jul25
Maria do Rosário Pedreira
Lembro-me de que, quando li Alice do Outro Lado do Espelho numa edição da Estampa, naquela colecção de capa preta com folhas azul-claras, nos meus tempos de faculdade, uma pergunta de Alice ficou para sempre na minha cabeça: "Must a name mean something?" Os seus interlocutores, se não me engano Tweedledee e Tweedledum, queriam saber o significava o nome Alice, e ela respondia-lhes com aquela pergunta; um nome tinha de significar alguma coisa? A querida poeta Ana Luísa Amaral chamou a um dos seus últimos livros What's in a name (leiam-no) e esta conversa toda vem a propósito do facto de um colega meu me ter contado que leu no romance de Miguel Bonnefoy de que aqui pus um excerto na última sexta-feira que o nome com que baptizaram a Venezuela não foi dado por acaso; antes de aquele território ser o país que é hoje, tinha uma data de pequenos canais e alguém pensou logo em Veneza, numa Veneza de trazer por casa, enfim, dado os canais serem bem menos sumptuosos. Mas foi por isso que se chamou Venezuela, a prova provada de que os nomes (próprios, claro) têm muitas vezes um significado. É até pena que muitos dos comentadores deste blogue não assinem com os seus verdadeiros nomes, pois talvez descobríssemos neles coisas engraçadas.