07

Jan26

Maria do Rosário Pedreira

Pronto, a LeYa faz hoje dezoito anos, e o que posso dizer é que foi um fósforo! Bem sei que não trabalhei no grupo logo que ele foi criado, mas lembro-me bem dos primeiros passos: da compra da Texto e a seguir da Caminho, da Asa com a Lua de Papel, da Dom Quixote, e mais tarde do grupo que detinha a Casa das Letras, a Teorema, a Oficina do Livro e outras chancelas menos literárias. Acompanhei os comentários, as desconfianças, a má imprensa, as críticas, e mesmo assim em 2010 juntei-me à equipa por perceber que os autores queriam ser profissionais e viver do que escreviam, e infelizmente isso ser cada vez mais impossível numa pequena editora. Comecei a perder os escritores demasiado cedo e vim para um grande grupo onde pude dar a conhecer outros que hoje são de nomeada (alguns dos quais saíram, é verdade, mas muitos ficaram e agradeço-lhes muito) e tenciono publicar ainda mais, embora tenha consciência de que é hoje cada vez mais difícil encontrar um autor que nos encha as medidas. Não devo ir para outra editora depois disto: cheguei praticamente à idade da reforma e, quando me mandarem para casa, irei decerto ler e escrever mais, mas não publicar. Hoje estou bem aqui e agradeço às várias administrações não se terem visto livres de mim quando a coisa apertou com a Troika e quando todos os anos publico livros que vendem menos do que seria desejável, embora compensados por outros que vendem mais do que esperado. Obrigada também aos colegas e, claro, à Madalena Escourido, que continua ao meu lado. Festejemos, pois, a sua maioridade.