07
Jul21
Maria do Rosário Pedreira
Leio que Dora Diamant (ou Dwojra Diamen), que foi amante de Franz Kafka, contou uma história do escritor, passada um ano antes da sua morte, que terá inspirado o livro infantil chamado Kafka e a Boneca Viajante, de Jordi Sierra. Mas a história é bonita (e, mesmo que não seja verdadeira, vale a pena contar). Ao que parece, num parque onde costumava passear diariamente, Kafka encontrou uma criança lavada em lágrimas por ter perdido a sua boneca; e, como ficou realmente impressionado com tão fundo desgosto, ofereceu-se para a ajudar a procurar a dita boneca no parque, mas nem ele nem ninguém a encontraram. Então, teve uma ideia: ausentou-se numa pretensa nova busca e escreveu uma carta que depois entregou à menina como sendo da sua boneca, na qual esta pedia à «dona» que não se preocupasse com ela, pois tinha ido de viagem, estava bem, e depois escreveria de novo a contar as suas aventuras. A criança parou de chorar, ficou mais consolada e, ao que parece, voltou a encontrar-se com o escritor checo, que acabou por oferecer-lhe uma outra boneca mais tarde (diferente da perdida, claro) com um bilhete que dizia: «As minhas viagens mudaram-me.» Verdade ou lenda, não importa muito; o que interessa é que originou um livro que dá a conhecer Kafka aos mais novos. Mas saberão eles o que é uma carta em tempo de SMS e e-mails?