06
Jul21
Maria do Rosário Pedreira
Aqui há tempos, escrevi neste mesmo blogue um post sobre o problema da opressão sobre os intelectuais anti-regime em Hong Kong e a circunstância de alguns jornalistas e escritores estarem desaparecidos, suspeitando-se de que o Governo os teria mandado «sequestrar» para os afastar da intervenção política. Aconteceu a alguns, de facto, que depois foram obrigados a dizer para a televisão que estavam bem e que tinham preferido retirar-se... Por muito que a China tenha mudado, a verdade é que não deixou de ser um regime ditatorial e, portanto, não seria de esperar que se deixasse criticar continuamente pelos meios de comunicação de Macau e Hong Kong. E, assim, depois de «raptos» e avisos, fez tudo para que que se fechassem as portas, ao fim de vinte e seis anos de actividade, de um dos últimos jornais que ainda levantava a voz contra o Governo, detendo colunistas e membros da sua direcção e congelando as respectivas contas bancárias. Com o aviso aos leitores de que a última edição sairia no dia 24 de Junho e se publicaria um caderno sobre as ditas detenções, os leitores foram em massa comprá-la em papel e a tiragem subiu dos 80.000 na véspera para os 500.000 exemplares. Quem apanhou um exemplar terá em casa uma preciosidade, pois não só o Apple Daily deixou de imprimir-se como deixou de estar sequer acessível online. A China não brinca, mesmo nos territórios de Macau e Hong Kong...