[poemário] lua vai
literatura, música, relacionamentos, memória afetiva
imagem/divulgar Raí Prado Morgado, Especial para fina I. você pensou que a travessia do maracatu pela rua do porto levaria menos de quinze minutos. eu duvidei e disse que o samba vinha depois das seis. no fundo, nós dois estávamos errados sobre finais felizes, que, sim, existem. é questão de enxergar. II. a certa altura, eu ainda acreditava na literatura, e você, mais dada à música, foi quem sempre soube ouvir. vivi a história das rodoviárias, transitei pelas farmácias de beira de estrada, mas coube a você a batalha de aglutinar duas cidades inteiras no peito. III. o pagode dos anos noventa pode não explicar tudo, mas tenta, e é óbvio, como toda certeza é soberba, que das vezes em que se encontra os amores da vida a última é a mais clara. a desavisada, a mais bonita.
Texto originalmente publicado em Revista Fina