Vês? Sou agora um pássaro que voa!

De teu sarcasmo torpe estou liberta,

Não tenho mais aquela vida incerta,

Tua perfídia já não me magoa!

Vês? De ti a minha vida está deserta,

E agora vivo bem, sorrindo à toa,

E dentro em mim teu nome não ecoa,

A tua voz mais nada em mim desperta!

Mas hoje vens aqui! Quanta ironia!

E choras teus sofreres e agonia...

E te humilhas! Dizes que me amas!

Não vês que nada sinto com teus dramas?

Que cinza não restou das velhas chamas?

Não tens pudor nenhum, nem galhardia!