06

Set13

Maria do Rosário Pedreira

Pobre Miguel Relvas, sim, esse mesmo, que devia andar sem nada para fazer desde que deixou o governo… Pois, mesmo sem remuneração, deram-lhe (não imagino quem) um cargo que não podia estar mais em desacordo com a figura: o de alto-comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa (uma casa criada no Rio de Janeiro, onde se realizarão, como sabem, os próximos Jogos Olímpicos). Diz-se que a instituição não é estatal e que o seu financiamento se fará com dinheiros privados (não imagino de quem). O alto-comissário, a respeito do próprio cargo, refere: «Como condições prévias, exijo fazê-lo a título não oneroso e geograficamente abrangente, isto é, englobando, nas realidades culturais a promover, além dos países que têm comités olímpicos, aqueles territórios que, fazendo parte de outros países soberanos, têm com a cultura portuguesa uma conexão forte e associações que perseguem os mesmos fins que os comités olímpicos nacionais.» Ora, ficou claríssimo (pelo menos, para mim) que o antigo ministro usa a língua portuguesa como ninguém e que não faz a mínima ideia do que irá fazer lá pelo Rio de Janeiro para a promover. Um erro olímpico terem-no escolhido, diria eu.