imagem NADA∴Studio Criativo!/divulgação Baga Defente*, Especial para Fina domingo de manhã depois de preparar o desjejum lavar a louça suja tirar a mesa da chuva & varrer a poeira da sala fui arrumar as roupas acumuladas bagunçadas espalhadas pelo quarto & dentre tantas camisetas cuecas pequeninas meias sem seus pares encontrei uma blusinha sua nela senti seu cheiro & toda a saudade que eu (em vão) tentava não sentir de uma vez desabou sobre mim então eu pensei que o olfato — assim como a música — são as formas mais práticas & acessíveis de se deslocar pelo continuum do espaçotempo pois eu quero dormir dentro do teu peito numa noite de chuva cheia sentindo as gotas batendo nas telhas meu coração pingando na tua alma escorrendo pela madeira pois cada mínimo detalhe do teu corpo — cílio escápula cicatriz — é um pequeno pedaço de paraíso perdido esperando para ser descoberto sob o sol quente o vento gélido neste delicioso outono policromático pois tentando (te) sentir teu pensamento maravilhado & assustado te vejo lava líquida rosa hibisco manjericão *Baga Defente é poeta e editor, autor de Pra estancar essa sangria (2021)