Parab lembrar aqueles que seguem por esse mar em busca de uma vida melhor e que fundo acabam por deixar naufragar os seus sonhos...
Fugido
Vindo de terra distante
Sem casa, sem gente, sem nada
Chega sem fé o migrante
Com vida, esperança acabada.
Venceu o mar, impiedoso,
Transpôs os mitos da morte
Mas sem nada, desgostoso,
Que será da sua sorte?
Feita a viagem morreram
Companheiros, filhos e pais
Daquilo que viu não queria
Nem viver nunca mais!
Fugido da guerra distante
Que lhe matou o futuro
Deixou nas mãos de um tratante
A travessia no escuro.
Nasce o dia e a claridade,
Fá-lo olhar o céu aberto
Não conhece a cidade,
Nem tem destino certo.
Mas as balas, não as descobre
Nem caiem bombas no chão
Se teto ainda não o cobre
Espera só uma refeição.
Nem todos o vão entender
Nem sequer o aceitar
Se alguns se podem esquecer
Ele isso não vai deixar.
É refugiado, sim.
Não precisam de o aceitar
Só qu’ ao mar não o devolvam
Não quer à sua pátria voltar.
Elsa Filipe, fevereiro de 2024