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AO SR. AQUILINO RIBEIRO
«Poucos, talvez, tenham a admiração mais pródiga do que eu: mas ninguém tem a lisonja mais avara. Admirar é um dos predilectos recreios do meu espírito. Lisonjear é um dos irreprimíveis aborrecimentos do meu carácter. E, posto isto, eu preciso declarar-lhe, sem mais formalidades, sem cuidar em pensar se estes dizeres o sensibilizam ou ensoberbecem, que esta linguagem vibrátil, nervosíssima, onde há cordas sonoras que vibram às ondulações mais imperceptíveis, dos seus contos, soa aos meus ouvidos como a linguagem de um Cellini da prosa, e quem a escreveu na sua idade juvenil é, desde agora, um dos grandes virtuoses do estilo.»...
(Continua)