O MEDO

O medo,

Um gato preto emergindo da sombra,

espera

nos aposentos dos homens.

(Não o verás entrar, não ouvirás as suas passadas).

O medo, apenas o medo,

com os seus agudos

intermináveis dentes gelados

roendo nos ossos,

ferindo

as nossas carnes assustadas,

o sangue,

sugando, o putrefacto sangue.

Oh, os aposentos dos homens!

quatro paredes,

o tecto,

a janela e a porta

para o vazio...

E lá dentro  - oh tempo mal-amado! -

(não o verás entrar, não ouvirás as suas passadas)

um golpe surdo, um engolir,

silêncio, nada...

FRANCISCO PÉREZ-MARICEVICH

(tradução de Tiago Nené)

Francisco Pérez-Maricevich nasceu em Assunção, no Paraguai em 1937. É poeta, ensaísta, romacista, jornalista e crítico literário. É licenciado em Filosofia e Letras, professor de Literatura em vários escolas secundárias e universidades em Assunção. Francisco Pérez-Maricevich contribuiu com importantes trabalhos no campo da investigação do bilinguismo (espanhol-guarani) na Bolívia. O seu legado poético inclui os livros de poemas Axil (1960), Paso de hombre (1963), Coplas (1970) e Los muros fugitivos (1983). Não existem livros do autor traduzidos em Portugal.