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Jun24

Elsa Filipe

Esta é uma data importante que assinala a data da morte do grande poeta português, Luís de Camões, estudado nas nossas escolas, especialmente pelos alunos do 9º ano e que necessitam dos "Lusíadas" para passar na prova de final de ciclo. Além do feriado que nos dá mais um dia de descanso e da obrigatoriedade escolar, é também importante pensarmos na relevância desta data ao longo dos tempos.

"Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o Dia da Raça," em que se exacerbavam as caraterísticas nacionais associadas à "raça" portuguesa. Esta ideia, felizmente, perdeu-se com a revolução!

Depois da Implantação da República, em 1910, "foi publicado um decreto que dava aos municípios e
concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas
tradicionais e municipais. Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em
honra de Camões. Durante o Estado Novo e até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho
passa a ser comemorado a nível nacional e passa a chamar-se o também o Dia da Raça,
em memória das vítimas da guerra colonial. A Segunda República não se revê neste
feriado pelo que, em 1978, o converte em Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades Portuguesas."

Nesta data, é costume que o Presidente da República e individualidades do Estado participem em cerimónias que decorrem em cidades diferentes todos os anos, com várias atividades, tais como desfiles e demonstrações militares. Anualmente, costumam também ser "distinguidas novas individualidades pelo seu trabalho em nome da nação."

Mas porquê Camões? Bem, em primeiro lugar porque já a este poeta que Lisboa havia dedicado a data, mas no Estado Novo, a importância tinha sido atribuída pela sua ligação aos Descobrimentos e à forma como o poeta valorizava o povo lusitano como superior, destacando os seus feitos. De facto, Camões - que associamos à Língua Portuguesa - nem tinha na época grandes preocupações ortográficas! Lembremo-nos que uma boa parte da população era analfabeta e que a obra deixada, só a muito poucos chegaria. Na versão original, uma mesma palavra aparece escrita sob várias formas de grafia, umas vezes por erro, outras talvez para manter a estrutura estabelecida para o esquema rimático usado pelo poeta. Enquanto vivo, a sua obra não foi muito valorizada e, é apenas depois da sua morte que os seus poemas são reunidos em coletânea e publicados. O que se sabe da sua vida... bem, não está tudo confirmado e há grandes dúvidas sobre quem tem razão. "Diz-se que tinha grande valor como soldado, exibindo coragem, combatividade, senso de honra e vontade de servir, bom companheiro nas horas de folga, liberal, alegre e espirituoso quando os golpes da fortuna não lhe abatiam o espírito e o entristeciam." Inclusivamente, "a ossada que foi depositada em 1880 numa tumba no Mosteiro dos Jerónimos é, com toda a probabilidade, de outra pessoa." 

Fontes:

https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-de-portugal-de-camoes-e-das-comunidades-portuguesas

https://gds.pt/pt/noticias/sabe-porque-razao-o-dia-de-portugal-se-celebra-a-10-de-junho

As origens de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas / Conceição Meireles. – In:
http://nisefa.wordpress.com/2008/06/09/sabia-que-10-de-junho

https://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/10/2011-06-Dia-de-Portugal.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es