Artista das redes sociais, Susano Correia leva prêmio do júri do Salão Nacional de Arte Contemporânea (GRU)
Artes Visuais, Susano Correia, Subjetividade, Arte Contemporânea
Conhecido por representações diabólicas que fazem referências a emoções, pintor hoje tem 300.000 seguidores Isabella Marzolla, colaboração para Fina “A arte é extremamente importante na formação da subjetividade das pessoas. Acredito em uma revolução subjetiva. Uso significantes bem acessíveis, tipo o pássaro, o corpo, o coração. Essas coisas que em geral as pessoas conseguem tecer relações de maneira fácil. Eu quero que as pessoas se sintam representadas”., afirma o Correia, que crê no poder transformador da arte. Vencedor da premiação do júri popular do 16º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Guarulhos ocorrido ontem, 3, Susano Correia é formado em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), natural de Florianópolis, tem três livros publicados – “Notas Visuais” (2017) e “Face a face com o abismo” (2018). Seu terceiro e mais recente livro, “Diário de um pintor”, conta com aforismos “reflexões de atelie” e processos de vida. Todos os livros foram produzidos com financiamento coletivo. O artista em seu canal do YouTube/fotos Acervo de Susano Correia O jovem artista bebe em boas fontes. De Dostoiévski a Nietzsche,passando por Lucian Freud, Iberê Camargo, ele explica que sua formação em licenciatura o incentivou a fazer uma arte “pedagógica”, buscando traduzir a erudição de seus conterrâneos em desenhos e pinturas com significantes comuns ao público. Ele toca em temas recorrentes nas redes, como a angústia, tristeza, solidão, amor, desilusão. Desta maneira Susano procura enriquecer a subjetividade do público com obras acessíveis e democráticas, pois todas as obras são expostas em suas redes sociais, que já acumulam grande “público online”. “Eu tenho essa ideia de que a arte e a vida são inseparáveis num determinado processo. A arte é um conceito que tem natureza de água corrente, quando definido nega o próprio conceito. (…) Faço trabalhos para interagir com a subjetividade das pessoas, significantes arranjados que conversem com quem está do outro lado [público]. Procuro empoderar as pessoas no sentido de se sentirem pertencentes ao universo da arte, para que seja “popular”, completa.
Texto originalmente publicado em Revista Fina