Não parece, mas a cidade de São Paulo possui uma série de monumentos em homenagem a poetas e escritores consagrados.
Na Praça Dom José Gaspar, onde fica a biblioteca Mário de Andrade, encontram-se, de uma vez só, seis deles: monumentos a Mário de Andrade, Cruz e Sousa e a outros quatro nomes retumbantes: Dante Alighieri, Luís de Camões, Miguel de Cervantes e Johann Goethe.

No Largo São Francisco, palco das primeiras agitações poéticas de São Paulo, encontra-se uma herma a uma das figuras centrais do Romantismo brasileiro, nosso primeiro poeta maldito: (Manuel Antônio) Álvares de Azevedo, ou, como era conhecido pelos seus condiscípulos da Faculdade de Direito: Maneco.
Vale a pena lembrar que São Paulo nessa época, 1850, não passava de uma povoação pobre, com um número de habitantes inferior ao que tinham por exemplo Belém e Cuiabá. Nas palavras do próprio Maneco de Azevedo, São Paulo àquela época era “um bocejar infinito”.

Apenas alguns quarteirões do Largo São Francisco, deparamo-nos com a imagem daquele que pode ser considerado o primeiro homem das letras do Brasil: o padre jesuíta José de Anchieta. Esse homem, em 1554, participou da fundação do Colégio São Paulo, o embrião de nossa cidade; seu monumento não por acaso localiza-se no marco zero da capital: a Praça da Sé.
Já no Largo do Arouche, pode ser vistos outros monumentos: ao poeta modernista Guilherme de Almeida, ao escritor Visconde de Taunay, autor de Inocência, a Vicente de Carvalho, poeta nascido em Santos e a Luís Gama, o verdadeiro Poeta dos Escravos. A história de Luís Gama mereceria um texto à parte: filho de mãe africana da nação Nagô, ex-escrava, Gama viveu ele mesmo a experiência do cativeiro quando foi, aos dez anos de idade, vendido, ilegalmente, pelo próprio pai, um fidalgo português falido. É uma das personalidades mais incríveis da nossa história, além de um importante autor de poesia social.

Não muito longe do centro, no bairro da Vila Mariana, encontram-se mais três significativas homenagens: a Cora Coralina, poetisa e escritora goiana, na praça que tem seu nome; ao célebre poeta parnasiano Olavo Bilac, na Avenida Sargento Mário Kozel e, na Avenida Sagres [1], ao gigante português Fernando Pessoa, um dos maiores nomes da literatura moderna.
Esses monumentos, como muitos outros, em São Paulo e em outras cidades, passam despercebidos, como se não existissem, o que é uma ironia do destino, afinal o que se pretende com um monumento é justamente perpetuar a memória de um evento ou de uma personalidade. Não é bem o que acontece.
E você, já viu alguma dessas celebridades por aí?
[1] Maiores informações sobre as obras, como autores e material de que são feitas, podem ser encontradas no site Monumentos de São Paulo (www.monumentos.art.br), uma espécie de mapa dos monumentos da cidade. Apesar de não ser rico em datações, o site é uma boa fonte de pesquisa.