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Nov20
Maria do Rosário Pedreira
Todos se lembram certamente de que, em 2018, o escritor brasileiro Itamar Vieira Junior venceu o Prémio LeYa com o romance Torto Arado, cuja acção decorre numa fazenda na qual os empregados ainda não ultrapassaram a condição de escravos, o que, de resto, parecendo coisa antiga, é uma situação vivida actualmente no interior do Brasil e a que o próprio autor assistiu no âmbito do seu trabalho profissional. Esse livro, que conta a história de duas irmãs (Bibiana e Belonísia) que acabam por ter vidas distintas também por via da aprendizagem e da leitura, foi cá publicado em Fevereiro de 2019 (quando Itamar veio participar nas Correntes d'Escritas) e, no Brasil, pela mão da editora Todavia, em Agosto seguinte. Ora, neste momento estão a sair os prémios literários brasileiros relativos às obras publicadas no ano passado e Torto Arado venceu na quinta-feira o Prémio Jabuti e está na final do Prémio Oceanos, os dois prémios principais do país irmão, o que é absolutamente invulgar se pensarmos que se trata de um romance de estreia (o autor ainda só tinha publicado contos), mas ao mesmo tempo plenamente justificado, dada a maravilha que o livro é. Se vencer também o Oceanos, será uma felicidade muito grande, até porque 3 é o meu número favorito, mas de qualquer modo já estou muitíssimo satisfeita com estas notícias. Parabéns, Itamar, você merece, e não sou só eu que o digo, você tem muitíssimos fãs aqui em Portugal, além de que os jurados, pessoas qualificadas de vários países de língua portuguesa, escolheram Torto Arado para integrar a lista dos finalistas em ambos os prémios e isso quer dizer alguma coisa. Até dia 18 de Dezembro, ficamos a torcer por você mais uma vez.