Há mais ou menos dois anos conheci esse romance do escritor carioca Flávio Izhaki.
Reproduzo aqui a sinopse que encontrei no próprio blog do autor:
“Um escritor em autoexílio que encontra seu livro num sebo, cinco anos após a publicação deste, com as margens do texto todas anotadas com comentários cáusticos. Felipe Laranjeiras faz da tentativa de achar essa pessoa que escreveu no exemplar encontrado o ponto de partida para que ele consiga retomar sua vida, que ficou estagnada desde que o livro foi lançado com resenha negativa no jornal. Antes da publicação do livro, Felipe Laranjeiras era um escritor promissor, namorava, e depois do lançamento acaba preso no próprio fracasso, exilando-se voluntariamente em Curitiba, fugindo de todos e de si próprio. Com a descoberta de Desencanto no sebo, o livro que o tirou da cidade acaba o trazendo de volta ao Rio, onde tenta retomar sua vida do ponto que ela parou.”
http://decabecabaixa.wordpress.com/
A prosa de Izhaki é leve, porosa, extremamente agradável.
Destaco como um dos aspectos marcantes do livro o olhar sobre a paisagem urbana. É incrível como o narrador é capaz de fisgar pequenos elementos da cidade (Rio de Janeiro sobretudo, para onde o herói retorna, como se estivesse diante de uma cidade ressuscitada) de modo a re-significar sua trajetória pessoal. A cidade aparece no livro como um elemento especial, como uma experiência íntima e, por isso mesmo, como uma experiência possível.
