07

Jul10

Maria do Rosário Pedreira

Quando comecei a trabalhar – e porque era, então, funcionária pública – abri conta no banco do Estado, como tinha de ser; mais tarde, depois de alguns anos a receber direitos de autor e pagamentos de outros trabalhos relacionados com a escrita, quis separar as águas e abri outra conta noutro banco. Escolhi o BPI – e a minha escolha, de certa forma, teve que ver também com leituras. Um dia, estava eu a ver a página do caderno de Emprego do Expresso e deparei-me com um anúncio do BPI para gestores de fundos de investimento. Nada que eu pudesse fazer, claro, mas algo me chamou a atenção no texto. Depois de informarem os potenciais interessados daquilo que ofereciam, diziam o que esperavam em troca; e, antes mesmo da licenciatura na área dos números ou da experiência profissional, o que esperavam dos candidatos era: «Que goste muito de ler.» Achei admirável! A seguir, diziam ainda que davam prioridade a quem fizesse voluntariado, tocasse um instrumento musical ou praticasse desporto de competição (presumivelmente, quem se dedica a tais actividades tem qualidades que também servem, pelos vistos, para gerir fundos de investimento). Até me apeteceu escrever-lhes uma carta a felicitá-los. Mas não, cingi-me a abrir uma conta numa das suas agências. O pior é que os fundos de investimento deram no que deram e, se calhar, todos esses leitores estão agora desempregados…