Título Original: Run, Rabbit, Run
Autora: Barbara Mitchelhill
Páginas: 236
Tradução: Luiz Antônio Aguiar
Editora: Biruta
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O que mais me interessou nesse livro foi o fato de se passar na Segunda Guerra Mundial e eu costumo simplesmente amar histórias que se passam nessa época por causa da carga dramática, que é gigantesca. Depois de pesquisar um pouquinho, descobri que, apesar de os personagens serem de criação da autora, os acontecimentos contidos no livro foram baseados em fatos reais. Como não ficar curiosa?
Lizzie, de apenas 11 anos, mora em uma cidadezinha chamada Rochdale com seu irmãozinho mais novo, Freddie, e seu pai. A mãe das crianças, infelizmente, foi morta em um bombardeio e é justamente esse fato que faz de William um pacifista, ou seja, ele acredita que uma guerra não é a melhor solução e se recusa a matar seus iguais. Sendo assim, ele tinha apenas duas escolhas: ou deixava os filhos sozinho e ia para a prisão ou fugia para longe para tentar manter unida o que restou da sua família. Sendo assim, com a ajuda de alguns amigos, Willian consegue chegar são em salvo em Whiteway, uma cidadezinha praticamente isolada da guerra, mas é claro que os problemas não demoram para aparecer.
O livro é narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Lizzie. Geralmente eu gosto muito de livros narrados por crianças, porque acaba dando um tom de serenidade para história, mesmo quando um tema pesado, como a Segunda Guerra Mundial, é o centro do livro. O mais incrível é que mesmo tudo sendo contado por apenas um personagem, consegui perceber um pouco o que os outros personagens sentiam e pensavam, e achei isso fantástico!
Fuja, Coelhinho, fuja, coelhinho, fuja, fuja, fuja.
BANGUE, BANGUE
BANGUE, BANGUE
faz a espingarda do fazendeiro.
Fuja, Coelhinho, fuja, coelhinho, fuja, fuja, fuja.
Fuja, Coelhinho, fuja, coelhinho, fuja, fuja, fuja.
Não dê essa alegria ao fazendeiro, não, não, não.
Ele vai Passar muito bem sem sua torta de coelho
Então fuja, Coelhinho, fuja, coelhinho, fuja, fuja, fuja.
A narrativa é muito fluida, rápida e interessante, característica de infanto-juvenis. Infelizmente não consegui me conectar muito com a história e, sinceramente, não sei o porquê. Sou uma mocinha muito emotiva, choro por qualquer coisa, e até me assustei por não ter me emocionado com a história de Lizzie. Para falar a verdade achei os acontecimentos muito previsíveis e superficiais, sem contar que não teve aquele clímax que estamos acostumados a ver em livros do gênero. É claro que é bastante comovente ver como famílias podem ser destruídas e separadas por causa da guerra e as outras atrocidades que acontecem, mas eu simplesmente não fui pegada pelo coração.
Acho que eu estava mais acostumada com um lado mais pesado da Guerra, em que os protagonistas eram judeus e sofriam coisas que a gente não consegue nem imaginar como seria. Nunca tinha lido um livro do gênero, mas com personagens que sofrem por serem contra - deixando claro que ser contra à Guerra, naquela época, era sinal de covardia, mas eu acho totalmente o contrário, já que é preciso ser corajoso até demais para lidar com as consequências dos seus ideais. Enfim, o que eu estou tentando dizer é que os protagonistas de Fuja, Coelhinho, Fuja sofreram, sim, mas não tanto quanto os judeus sofreram, acho que por isso não consegui achar "demais".
Creio que o maior mérito do livro, para mim, foi a edição, que está impecável. Não que o livro seja ruim, mas acho que a diagramação se destacou mais que a história em si.
