Eu não conheço o trabalho da Krysten Ritter como atriz, pois não sou muito de assistir filmes e séries, mas o burburinho por trás dela e deste livro me deixaram muito curiosa, ainda mais porque ele foi publicado no Brasil e nos EUA ao mesmo tempo. Não sou muito fã de thrillers psicológicos, mas A Fogueira possui uma narrativa ímpar e personagens bem construídos. 

Quem vê Abby Williams aos 28 anos, uma advogada bem sucedida especializada em crimes ambientais, não imagina que ela teve uma infância e adolescência extremamente difícil em Barrens, uma cidadezinha do interior localizada em Indiana. Sua vida perfeita em seu apartamento perfeito em Chicago parece começar a desmantelar quando um caso de contaminação de uma empresa famosa praticamente obriga Abby a voltar para sua cidade natal, depois de dez anos.

Enquanto investiga o caso da Optimal Plastics, é impossível para Abby não se lembrar do caso de desaparecimento de uma ex-amiga, Kaycee Mitchell. Apesar do sumiço nunca ter sido explicado, quanto mais descobre coisas sobre a empresa, mais a protagonista se aproxima do que aconteceu no passado. Além disso, esse caso trás lembranças muito dolorosas para Abby, pois Kaycee acabou se tornando a "líder" do grupo que a atormentava na escola.

A princípio, o mistério envolvendo o desaparecimento de Kaycee e uma doença super estranha que a acometeu foi o que me manteve ligada à história. Porém, mais que a trama em si — que em certo ponto se tornou um tanto previsível —, o que mais me agradou e surpreendeu foi a escrita de Krysten Ritter. Não que eu estivesse a subestimando, mas quando a pessoa já é conhecida e famosa, tudo fica mais fácil. Eu realmente não esperava um desenvolvimento tão bom, principalmente por ser o primeiro livro da autora. 

Os flashbacks onde Abby mostra o seu passado são de longe as partes mais instigantes do livro, do tipo que a gente lê e sente aquele desespero para saber o que está acontecendo. Outra coisa que me agradou bastante também foi o fato de termos uma protagonista mulher que é independente e um exemplo de superação por tudo o que ela passou e conquistou — a gente sabe muito bem o que o bullying pode causar em uma pessoa, não é mesmo?

Acredito que, apesar de não haver nenhum plot twist surpreendente, Krysten Ritter conseguiu seu mérito à partir dos seus personagens e do ritmo da história. Pelo o que eu ouço falar, Abby Williams tem muito da Jessica Jones em si, e isso não é necessariamente ruim. Eu nunca assisti a série, mas pelo que pesquisei a protagonista teve em seu passado um envolvimento amoroso que foi bastante tóxico, o que se acaba se encaixando se levarmos em consideração todas as pessoas com que Abby se envolveu na sua adolescência.

A Fogueira é um thriller que realmente cumpre o que promete, já que tem a capacidade de deixar os leitores eletrizados do início ao fim. Acredito que este seja o livro perfeito para àquelas pessoas que gostam de leituras fluidas e rápidas, mas com muito suspense que, felizmente, não deixa nenhuma ponta solta.

Título Original: Bonfire

Autora: Krysten Ritter

Páginas: 288

Tradução: Ryta Vinagre

Editora: Fábrica 231

Livro recebido em parceria com a editora