Glória e Ruína é o segundo volume da duologia criada por Tracy Banghart. Se você ainda não leu Graça e Fúria, deixe essa resenha para mais tarde, porque é impossível não soltar um spoiler ou outro. Pois bem, tendo isso em vista, a segunda parte da história das nossas heroínas começa exatamente onde termina a primeira: Serina liderando um motim contra os homens que dominavam Monte Ruína — e vencendo com honra, diga-se de passagem — e Nomi chegando à Monte Ruína exilada após o assassinato do superior. 

A atmosfera de Glória e Ruína permanece extremamente tensa, já que as mulheres continuam sem um pingo de dignidade. Assim, o foco das protagonistas é fazer com que as mulheres de Viridia, incluindo as sobreviventes de Monte Ruína, tenham um futuro digno. Então a necessidade das duas irmãs se torna a mesma: mudar o sistema, ainda que seja necessária uma revolução. É claro que as coisas não são fáceis, principalmente levando em conta o tirano que assumiu o governo — o filho mais novo do antigo superior, aquele que tirou a vida do próprio pai unicamente para conseguir poder.

O que eu mais gostei em Graça e Fúria foi o desenvolvimento de Serina, que foi se tornando cada vez mais forte e terminou o livro de forma magistral. Nesse segundo volume, a personagem continua perfeita, sem defeitos. Obviamente também me apaixonei pela forma como as mulheres são unidas, lutam juntas por um único objetivo. Ainda bem que Tracy Banghart seguiu essa mesma linha em Glória e Ruína

— Eu não esperava que fosse fácil, só que... que estivéssemos à altura da tarefa.
— Nunca ouvi isso de uma mulher.
— Porque é difícil esperar muito de si mesma quando o resto do mundo não acha que você é capaz. (p. 92)

E por falar em luta, quem se incomodou com a ambientação brutal das cenas que se passavam em Monte Ruína, ficará ainda mais impactado com as batalhas desse segundo volume. Lutas estão presentes o tempo inteiro, desde o momento em que as mulheres estavam se organizando para sair do cárcere em que viviam até o momento em que chegaram, de fato, onde queria chegar. Apesar de não gostar dessa violência toda, estaria mentindo para mim mesma se dissesse que não gostei. Concordo que é muito triste que elas precisassem matar pessoas para se libertarem, mas cada tiro, cada facada, foi sinceramente uma satisfação pessoal.

Eu sei que é um sentimento muito pesado, mas foi a forma como a autora conseguiu erguer todas as personagens contra a opressão. A história inteira se passa em uma sociedade que simplesmente apagou as mulheres — que, inclusive, chegaram a governar Viridia —, transformando-as em meros objetos. A força física está presente o tempo inteiro, mas existem outras ações envolvendo sororidade e empatia que mostram que as mulheres têm poder.

Falando em sororidade, é impressionante os laços que as mulheres de Monte Ruína criam no decorrer da história. Por mais que tivessem suas diferenças e desavenças, eram muito unidas e respeitavam umas as outras acima de tudo. Existem várias cenas emocionantes no livro que provam isso, "detalhes" que contaram muito para mim. Eu dou muito, muito valor à essa união, porque acredito que ninguém segura mulheres que caminham juntas para alcançar um objetivo em comum.

Glória e Ruína é um livro bastante rápido, mas mesmo com o final aberto bem no estilo de conto de fadas — convenhamos que depois de tanta luta, não é possível que as pessoas não pudessem sonhar, não é mesmo? —, dá um desfecho para as irmãs Tessaro e todas as outras coadjuvantes que fizeram essa história acontecer.

Título Original: The Iron Flowers ✦ Autora: Tracy Banghart  ✦ Páginas: 312

 Tradução: Isadora Prospero ✦ Editora: Seguinte