Charlotte e Nicole se conhecem desde os 8 anos de idade e, apesar de grandes amigas, não poderiam ser mais diferentes. Charlotte é solteira, vem de uma família complicada, cujos pais morreram muito cedo em um acidente de carro por pura imprudência. Apesar de seu histórico familiar, ela se tornou uma mulher bem-sucedida e viaja para todos os cantos do mundo para escrever histórias sobre as coisas mais inusitadas que existem.

Já Nicole, se casou muito cedo, aos 24 anos com um médico cirurgião 12 anos mais velho que ela. Nicole é muito caseira e apegada às pessoas a sua volta. Ela tem um blog sobre comidas orgânicas, que ganha força depois de descobrir que seu marido foi diagnosticado com uma doença grave. Ela usa o blog como distração para os seus problemas e agora vai escrever um livro sobre a culinária de Quinnipeague, uma ilha de Maine, onde ela passava os verões com Charlotte na casa de seus pais. Para isso, ela envia um email à amiga convidando-a a colaborar no livro, uma vez que Charlotte também tem experiência com a escrita e com a culinária da ilha.

A ilha era comprida e estreita, ondulando na beira do oceano como uma cobra ardilosa. Sua larga cabeça, que mirava o continente, erguera-se para sustentar o centro da cidade. Antes vila de pescadores, as ruas estreitas permaneciam habitadas por uma porção de vendedores de lagostas e de mexilhões, embora a maioria das propriedades pertencesse agora aos moradores locais que as alugavam para novos residentes. Estes, cujas casas ficavam numa ladeira, eram artistas, negociantes e programadores de computador, todos atraídos pela paz da ilha.

Narrado em terceira pessoa e alternando entre as histórias de Charlotte e Nicole, Um Segredo Doce e Amargo conta sobre uma amizade que se perdeu com o tempo, mas que volta à tona quando as amigas se encontram novamente no local onde costumavam passar os verões na infância. Devo admitir que, à segunda vista, não entendi muito bem o que me fez pedir este livro. Acredito que quando li a sinopse pensei que a história seria um pouco melhor. Não é o pior livro que já li, mas havia muito tempo que não sentia tanta dificuldade em terminar uma leitura.

A autora traz um excesso de detalhes à sua obra que torna a maioria dos capítulos extremamente maçantes. Se todos os detalhes desnecessários, na minha opinião, fossem tirados, o livro teria, no mínimo, cem páginas a menos. Algumas vezes os detalhes são necessários sim, para transportar o leitor para o mundo da obra, então são eles que costumam nos prender à história. Mas o excesso só a dificulta, por isso não consegui caminhar entre os capítulos de forma fluida.

A história em si não é ruim, o mistério das duas amigas, os segredos que elas guardam nos prendem ao enredo. Charlotte guarda um grande segredo até a metade do livro e, apesar de depois de um certo tempo eu esperar o que aconteceu, ficamos um tanto atônitos ao descobri-lo. Tem também um romance que floresce com o passar dos capítulos, entre Charlotte e Leo Cole, o filho de uma falecida curandeira, cujas receitas Charlotte quer conseguir para o livro de Nicole.

Um Segredo Doce e Amargo foi o primeiro livro que li de Barbara Delinsky e, sinceramente, não sei se lerei outras obras da autora — é bem complicado quando reagimos assim à uma história, mas espero pagar língua, de verdade. A sinopse me chamou atenção à primeira vista, mas apesar da essência da história ser interessante, a forma com que a autora a apresenta não me agradou nem um pouco.

Título Original: Sweet Salt Air

Autora: Barbara Delinsky

Páginas: 392

Tradução: Rachel Gutierrez

Editora: Bertrand Brasil

Livro recebido em parceria com a editora