Não cheguei a ler Amy & Matthew, mas lembro muito bem que ele fez bastante sucesso na blogosfera na época em que foi lançado. O que me chamou atenção para Belinda & Em não foi o título, mas sim o que vinha embaixo: "a pior coisa que você pode fazer é não fazer nada". Assim, eu logo quis descobrir o que aconteceu entre essas duas protagonistas, e posso dizer que, apesar de algumas coisinhas que vou explanar um pouco mais, a história de McGovern me surpreendeu. 

Emily é uma adolescente de 17 anos que está no último ano do ensino médio, e se orgulha da vida que leva: é super inteligente e, além disso, é co-presidente de um grupo de apoio às minorias. Belinda já tem 21 anos, mas também está no último ano do ensino médio, isso porque tem uma deficiência intelectual que não é muito bem especificada na história. O que conecta essas duas meninas, infelizmente, não é um acontecimento muito bom: Belinda sofre uma tentativa de estupro. Emily e um colega, Lucas, veem tudo e não fazem nada.

Apesar de a justificativa para Em não ter feito nada ser o medo, ela se sente extremamente culpada. Assim, quando oferecem para os dois serem voluntários em um grupo de apoio para pessoas com necessidades especiais, Emily enxerga uma oportunidade de se redimir. Todas as quartas-feiras Lucas e Em se reuniam para a aula de Limites e Relacionamentos, que tinha como foco principal trabalhar questões de convivência com essas pessoas. Porém, os dois percebem que se quiserem mudar as coisas, precisarão atuar muito mais.

O amor não é uma questão de parecer perfeito aos olhos da outra pessoa. É uma questão de poder mostrar suas imperfeições.

Primeiramente, queria começar dizendo que o principal sentimento que tive em relação à Emily durante boa parte do livro foi meio que impasse. Quer dizer, eu me coloquei no lugar dela. Apesar de achar que teria agido diferente, também pensei que poderia sentir medo, que poderia ficar paralisada. Mas aí, chegou um ponto que eu fiquei bem indignada. Mesmo se sentindo culpada pelo acontecimento, Em insistia em manter aquela aparência de boa moça! Não sei exatamente se é um spoiler, se for me perdoem, mas a personagem teve até a coragem de jogar toda a culpa em Lucas e isso me deixou bolada demais.

Os capítulos são narrados pelas duas protagonistas, mas possui um formato diferente. É como se cada capítulo possuísse subcapítulos em que Belinda e Em narravam os acontecimentos. A escrita de Cammie McGovern é bastante fluida, mas às vezes eu sentia que muitos trechos da história poderiam ser simplesmente cortados e nada ali perderia o seu sentido. Por exemplo, muitos dramas adolescentes poderiam ser deixados de lado, assim como muitas partes em que Belinda narrava o seu dia a dia. 

Provavelmente o que mais achei interessante na história foi a atuação de Emily e Lucas nas aulas de Limites e Relacionamentos. Eles eram muito pacientes com os alunos e pareciam realmente gostar do que estavam fazendo. Além disso, uma coisa que reparei, foi que nenhuma doença foi realmente especificada, o que me faz pensar que a autora não queria que rotulássemos os personagens por causa desses transtornos ou deficiências. Como se ela quisesse que enxergássemos cada um com suas diferenças, assim como todo mundo que existe no mundo é diferente. 

Eu realmente gostei bastante de Belinda & Em e da mensagem que ele transmite. O tema escolhido por Cammie McGovern é de extrema importância e merece ser discutido na sociedade, por isso encaixo esse livro naquelas obras que todos as crianças e adolescentes deveriam ter acesso. Foi uma leitura bastante intensa, mas também muito especial.

Título Original: A Step Towards Falling

Autora: Cammie McGovern

Páginas: 400

Tradução: Alda Lima

Editora: Galera

Livro recebido em parceria com a editora
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