Fã confessa de livros com temáticas pesadas, sempre fugi da obra de Marian Keyes, ao mesmo tempo que a curiosidade por uma best-seller invicta me atraía magneticamente. De fato, não foi a melhor leitura da vida, mas me tirou do limbo da dúvida se gostaria ou não. E, como prometido, a escrita da autora é fluida, rápida de ler e incrivelmente bem humorada. Neste novo livro, a abordagem do fim de relacionamento ganhou uma roupagem totalmente inusitada. Confesso que me diverti bastante, mas ainda continuo uma admiradora de leituras mais propositadas e não tão fast-reading.
Amy O'Connell tinha um relacionamento totalmente tranquilo com o marido Hugh, até que subitamente lhe sugere um tempo no casamento. Mas, ora, em tempos de amor líquido, qualquer momento de solterice pode virar uma isca para desistir do relacionamento e tal realidade assombra Amy, mas não por muito tempo, pois estamos em um chick-lit com uma personagem feminina diferente das demais. Enquanto seu Hugh vaga sem rumo pelo Sudeste Asiático, ela não ficará sentada esperando, afinal, não existem garantias de um futuro a dois após o retorno dele.
Só que não cheguei, nunca. Não cheguei a lugar nenhum. Ainda sou uma desajustada, uma mulher cujo marido quer fazer algo sem qualquer precedente – ele não quer ir embora, mas também não quer ficar. Velhos sentimentos de vergonha se apossam novamente de mim com toda a força.
O que sempre me incomoda com a temática chick-lit é a forma como as personagens femininas são totalmente condicionadas aos seus parceiros nas histórias. Um futuro ou ex amor sempre torna o ponto central da vida da moça. Vivendo a ascensão do feminismo, sinto que falta um maior despertar da Marian para isto, pois ela não está escrevendo para o mesmo público feminino que comprou milhões de exemplares de Melancia (seu primeiro e mais famoso romance).
Apesar disso, a forma como a narrativa é conduzida me prendeu até o final e tudo começa a ter um propósito. O tempo pedido por Hugh foi motivado pelo falecimento de seu pai e do seu melhor amigo, assim, a Amy vê-se sozinha com três filhas adolescentes, mas também tenta compreender o momento do marido. E é justamente aí que a Marian surpreendeu-me, com a relação das quatro mulheres da família e as lições de sororidade que são repassadas de umas as outras, ainda que enviesadas pela alta carga romântica do enredo.
Em uma edição cor de rosa lindíssima e com a diagramação confortável já esperada do Grupo Record, o livro é um daqueles troféus que deixam a estante mais bonita. A volume de páginas dá lugar a uma lombada linda, mas acredito que o estilo diário pessoal dos capítulos podia ter sido evitado entregando uma leitura mais enxuta e mais divertido. Mas apesar dos pesares, acredito que as fãs de chick-lits vão adorar cada linha da vida louca e meio solteira de Amy.
Título Original: The Break
Autora: Marian Keyes
Tradução: Carolina Simmer
Páginas: 588
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
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