Sempre que tenho oportunidade de ler algum livro nacional, eu leio. Rio-Paris-Rio me chamou a atenção por causa da sinopse: dois brasileiros que se encontram refugiadas em um país diferente enquanto a terra natal sofria os horrores da ditadura. E, claro, o fato de ser "uma história de amor, sonhos e desilusões" ambientada em Paris.
Maria e Arthur são cariocas que moram em Paris em pleno 1968 — não precisa ser muito bom em História para saber que esse ano ficou conhecido como o ano infinito, de tantos acontecimentos marcantes e tragédias, como, por exemplo, o assassinato do estudante Edson Luís —, dois estranhos no ninho que se conhecem por acaso, mas não demoram para se tornar um casal que podem tudo ou nada.
– O que você mais odeia no Brasil?
– Os militares ditadores.
– E o que, do Brasil, te faz mais falta?
– O meu avô, que é um dos militares ditadores.
O livro é narrado em terceira pessoa de uma forma muitíssimo intensa, onde Luciana Hidalgo expõe cruamente a realidade dos exilados. A autora apresenta de uma forma muito clara, apesar da narrativa difícil, as diferenças políticas e culturais entre a França e o Brasil, além de retratar muito bem os terrores da ditadura.
Hidalgo também mostra o passado dos personagens e como isso influenciou no relacionamento e personalidade dos dois. O que eu mais gostei foi a forma como Luciana mostrou que independente das dificuldade, erros, acertos, no fim as coisas ainda podem dar certo.
Rio-Paris-Rio é a clássica mistura entre ficção e realidade que nos faz refletir muito. Como ainda sou nova, não tive contato com a sociedade e a política do meu país na ditadura e só de ler o livro fiquei um pouco assustada. É impossível não se colocar no lugar dos personagens e o questionamento de como eu lidaria com tantos problemas nunca irá sair da minha cabeça.
Título Original: Rio-Paris-Rio
Autora: Luciana Hidalgo
Páginas: 160
Editora: Rocco
Livro recebido em parceria com a editora
