Outros incentivos – incluindo prêmios em dinheiro e pausas para descanso – foram utilizados intervalos regulares, mas, embora os níveis de produção variassem, a tendência era inevitavelmente de crescimento. Qualquer que fosse a experiência aplicada, a produção aumentava. Embora tivesse sido determinado, de forma conclusiva, que a iluminação pouco tinha a ver com os níveis de produção, o assistente do gerente da fábrica (George Pennock) era de opinião que algo peculiar estava ocorrendo, e que a experiência devia continuar.
Primeiras conclusões: Supervisão e atitudes dos empregados
No inverno de 1927, Pennock solicitou a contribuição de Clair Turner, professor de biologia e saúde do MIT. Turner logo chegou à conclusão de que as pausas para descanso em si não eram a causa do aumento de produtividade, embora intervalos maiores causassem mais interação social, as quais, por sua vez, afetavam a atitude mental. Turner atribuiu o aumento da produtividade ao grupo pequeno; ao tipo de supervisão; aos ganhos; à novidade da experiência e ao aumento de atenção aos trabalhadores, gerado pela própria experiência.
Quando Pennock convidou Turner a participar, fez o mesmo com Mayo. As visitas realizadas entre 1929 e 1930 mostraram a Mayo “uma mudança notável na atitude do grupo”.A opinião de Mayo era a de que os trabalhadores da sala de testes transformaram-se em unidade social, apreciavam toda a atenção que estavam recebendo e desenvolveram um senso de participação no projeto.
Ao se concentrar em uma abordagem mais aberta, atenciosa e amigável, Mayo encontrara o ponto que unia o estilo de supervisão e o nível de motivação aos níveis de produtividade.
Pesquisa adicional: Grupos sociais
Uma terceira etapa da pesquisa foi realizada na sala de observação de montagem de terminais, com aplicação semelhante de incentivos à produtividade. Neste caso, revelou-se que a produção estava restrita:
- O grupo tinha padrão de produção que era respeitado por seus integrantes;
- O grupo era indiferente ao plano de incentivos financeiros do empregador;
- O grupo desenvolveu um código de conduta próprio, baseado na solidariedade em oposição à gerência;
- A produção era determinada por grupos sociais informais, e não pela gerência.
Mayo havia lido o trabalho de F.W. Taylor, que já estabelecera que grupos sociais são capazes de exercer forte controle sobre a conduta de seus membros ( Taylor chamou isso de systematic soldiering). O desenvolvimento interessante que Mayo observou, entretanto, foi que, embora no primeiro conjunto de experiências a produtividade aumentasse à medida que o projeto avançava, no outro – a sala de observação de montagem de terminais – a produtividade diminuía.
Em The Human Problem of an Industrial Civilization, Mayo escreveu: “A colaboração humana no trabalho… sempre dependeu, para sua perpetuação, da evolução de um código social não lógico, que regula as relações entre as pessoas e suas atitudes umas com as outras. A insistência em uma lógica de produção meramente econômica… interfere com o desenvolvimento desse código e , conseqüentemente, gera no grupo uma sensação de derrota. Isso… resulta na formação de um código social de nível inferior e em oposição à lógica econômica. Um de seus sintomas é a “restrição”.
- A satisfação aumentava à medida que os trabalhadores recebiam mais liberdade para determinar as condições do ambiente de trabalho e para estabelecer seus próprios padrões de produtividade;
- O aumento da interação e cooperação criava um alto nível de coesão de grupo;
- A satisfação e a produtividade dependiam mais de cooperação e de um sentimento de valor do que de condições físicas de trabalho.
A contribuição de Mayo reside no reconhecimento de que a formalidade de regras e procedimentos rígidos gera abordagens informais e grupos baseados em emoções, problemas e interações humanas. O gerente, portanto, deve esforçar-se para desenvolver habilidades para lidar com situações e relações humanas, que incluem habilidades de diagnóstico para entender o comportamento humano e habilidades interpessoais em orientação psicológica, motivação, liderança e comunicação.
Mayo foi aclamado por seus partidários como fundador da escola de gestão das relações humanas e criticado por sociólogos por não se aprofundar em suas interpretações.
Ler as conclusões de Mayo não causam surpresa – muito menos sensação de descoberta – no final do século XX. Sua maneira de ver e sentir é cada vez mais lugar comum entre os cientistas sociais, sindicalistas e gestores. Mas essa talvez seja a medida de sua realização, porque a maior parte dos analistas concorda que foi o primeiro a demonstrar, inferir e dar provas dos benefícios de afastar o pensamento da gestão do amplo domínio da gestão científica de Taylor.
As conclusões formuladas por Mayo sobre os estudos de Hawthorne estabeleceram os princípios do reconhecimento de que o estilo de administração é importante colaborador da produtividade industrial; que as habilidades interpessoais são tão importantes quanto os incentivos monetários ou a fixação de metas e que uma abordagem mais humanista é importante meio para satisfazer as necessidades econômicas e sociais da organização.