CAPÍTULO III
Por Maria Déborah Ribeiro Nascimento
Ciente da situação difícil em que se encontrava, André acelerou suas pedaladas, não percebendo que acabou deixando Ítalo pra trás. Quando se recuperou do surto, olhou para trás à procura de seu amigo, porém, ele não estava lá. Então, parou a bicicleta e ficou esperando, pensando que ele só tinha se atrasado um pouco, mas ele não apareceu.
– Ítalo! Cadê você? – Gritava ele, já com um aperto em seu coração.
Decidiu então voltar para procurar seu amigo. Alguns minutos de pedaladas depois, André viu uma cena que fez seu coração gelar: debaixo dos temidos “umbuzeiros”, estava a bicicleta de Ítalo, com o pneu de trás furado, mas ele não estava lá…
– Eu abandonei o meu melhor amigo! – Disse André enquanto baixava sua cabeça e uma lágrima rolava em seu rosto.
***
André ficou lá sentado por algum tempo, ao lado da bicicleta de Ítalo, triste por pensar que havia perdido seu amigo. Mas logo percebeu que não poderia ficar ali parado sem nada fazer, decidiu então investigar a “cena do crime”, na esperança de encontrar pistas para encontrar o seu amigo. Apesar de já ser noite, o céu estava limpo, portanto, a lua iluminava bem. Mesmo assim André pegou uma pequena lanterna (que pertencia ao seu pai) na sua mochila.
– A mochila dele não está aqui, com certeza ainda está com ele. Pelos rastros parece que não houve briga. Como o pneu furou, ele deve ter caído e corajoso como é, ficou com medo das árvores… O que faz uma pessoa com medo? Sai correndo, se esconde. Mas onde pode se esconder num lugar como esse?
André deixou sua bicicleta junto com a de Ítalo nos umbuzeiros e começou a voltar o caminho que haviam percorrido para ver se encontrava algum lugar onde Ítalo pudesse ter se escondido.
***
André ficou otimista ao ver uma casa, abandonada pelo visto. Tinha a esperança de que Ítalo estivesse escondido naquele lugar.
– Sei que Ítalo também teria medo de entrar nessa casa, mas para um bom medroso é melhor se esconder num lugar fechado do que ficar “a céu aberto”.
Aproximou-se da casa devagar para certificar-se de que era mesmo abandonada. Confirmando sua suspeita aproximou-se um pouco mais e chamou:
– Ítalo! Você “tá” aí? É André!
Repetiu por algumas vezes, mas não houve nenhuma resposta. Decidiu entrar na casa. Acendendo a lanterna, ele entrou pela porta dos fundos (que estava aberta).
Era uma casa pequena: uma cozinha, dois quartos, um banheiro e uma pequena sala de estar. Procurou em cada cômodo, rastreando qualquer sinal de vida. Nada! De repente, a porta pela qual ele entrou, se fecha, fazendo um estrondo, que quase fez seu coração “sair pela boca”.
– Foi só o vento! – Falou para si mesmo.
Foi em direção à porta, tentou abri-la. Para sua infelicidade estava emperrada. Apesar de ser corajoso, numa situação dessas começou a ficar nervoso:
– Pensa, André! Pensa!
Respirou fundo, olhou ao seu redor e percebeu que a casa tinha quatro janelas. Tentou abri-las. As duas primeiras estavam emperradas, a terceira, depois de um tempo puxando com muito esforço, ele finalmente conseguiu abrir. Foi logo pulando para fora da casa e com um grande alívio quase grita “Graças a Deus!”, no entanto, quando pensou em pular e gritar por ter escapado do “cárcere” em que se encontrava, lembrou-se de uma coisa: Ítalo não estava lá, apesar de todo seu esforço, ainda não havia encontrado seu amigo..
– Ítalo onde que você tá?! – Gritava André desesperado.
***
Decidiu voltar para os umbuzeiros onde havia deixado a bicicleta de Ítalo e a sua. No caminho de volta, estava com a cabeça baixa, triste por todo esse seu plano e sua investigação ter ido por água a baixo. Não conseguia acreditar que havia entrado naquela cilada toda só por causa da sua curiosidade.
– Para ver uma biblioteca? Entrei nessa situação por causa de uma biblioteca? – murmurava ele.
Quando finalmente levantou sua cabeça, e olhou para os umbuzeiros viu uma pessoa lá, mexendo em sua bicicleta. Não pensou duas vezes, correu na direção dos umbuzeiros:
– É Ítalo! – Pensou ele.
Quando chegou lá, mais uma decepção (e surpresa) não era Ítalo, mas sim seu irmão mais velho: Rafael. Famoso por estragar seus “planos infalíveis”.
– Ora, ora, o que temos aqui… Tem alguma coisa a me dizer senhor André? – Disse Rafael, com um sorriso sarcástico em seus lábios, enquanto via a cara de apreensão e desespero de André.
Naquele momento André não sabia se estava triste, com medo ou nervoso. Não sabia o que sentia, nem o que poderia fazer e pensou com ele:
– Puxa! Que ótimo! O coronel vai me matar, perdi meu melhor amigo e talvez antes do coronel, a minha mãe me mate! Será que dá pra piorar?