


«Este enxerto agiográfico, sem pés nem cabeça, inacreditável no poema da energia máscula, pagão e sensualista, é o pior da obra, e da rima defeituosa, hesitante, apenas se destacam dois versos de verdadeira consonância camoneana:
«Choraram-te, Tomé, o Gange e o Indo;
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram as almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe ensinaste.
Mas os Anjos do Céu, cantando e rindo,
Te recebem na glória que ganhaste.
Pedimos-te que a Deus ajuda peças
Com que os teus Lusitanos favoreças.
Os Lusíadas, X.118.1-2.

«E vós outros que os nomes usurpais
De mandados de Deus, como Tomé,
Dizei: se sois mandados, como estais
Sem irdes a prègar a santa Fé?
Olhai que, se sois Sal e vos danais
Na pátria, onde profeta ninguém é,
Com que se salgarão em nossos dias
(Infiéis deixo) tantas heresias?
Os Lusíadas, X.119.1-4.
... «Em suma, as reflexões evangélicas, com que concluem os dois cantos, estragam os deliciosos quadros de sentido naturalismo, como desafinam ao meio do clangor épico com que, à maneira dum aedo grego, Camões vai assinalando os seus heróis e homens de fama imortal.»
* * * * * * * * * *