Henry Fayol – ADM Industrial e Geral II
Capítulo III – Necessidade e Possibilidade de Ensino Administrativo
[…] A administração não figura sequer nos programas de ensino das escolas superiores de engenharia civil. Por que? Desconhece-se a importância da capacidade administrativa?
Não. Se se trata de escolher um contramestre entre os operários, um chefe de oficina entre os contramestres ou um diretor entre os engenheiros, não é nunca a capacidade técnica que decide a escolha. Verifica-se se o escolhido possui a dose necessária de capacidade técnica, mas, entre os candidatos de valor técnico quase equivalente, será dada preferência ao que for considerado superior por suas qualidades de presença, autoridade, ordem, organização e outras, que são os próprios elementos da capacidade administrativa.
Seria porque a capacidade administrativa não pode ser adquirida senão mediante a prática dos negócios?
Creio que essa é a razão invocada. Veremos, no entanto, que ela não tem fundamento e que, na realidade, a capacidade administrativa pode e deve adquiri-se, assim como a capacidade técnica, primeiramente na escola e depois na oficina.
A verdadeira razão da ausência de ensino administrativo em nossas escolas profissionais é a falta de doutrina. Sem doutrina não há ensino possível. Ora, não existe doutrina administrativa consagrada, surgida da discussão pública.
[…] É necessário, pois, formular o mais rapidamente possível uma doutrina administrativa. Isso não seria difícil nem exigiria muito tempo se alguns dirigentes se decidissem a expor suas idéias pessoais sobre os princípios que consideram mais adequados para facilitar a marcha dos negócios e sobre os meios mais favoráveis à realização desses. Princípios. A luz surgiria logo da comparação e da discussão. Mas a maior parte dos grandes chefes não tem tempo nem gosto de escrever e freqüentemente desaparece sem deixar doutrina ou discípulos. Não podemos contar, pois, com essa fonte.
[…] A menor observação bem feita tem seu valor e, como o número de possíveis observações é limitado, pode-se esperar que a corrente, uma vez estabelecida, não se detenha jamais; trata-se de formar essa corrente, de provocar a discussão pública; é o que procuro fazer, mediante a publicação destes estudos.
Espero que deles surja uma doutrina.
Henri Fayol