ADAM SMITH – A RIQUEZA DAS NAÇÕES LIVRO II – SEMANA III

Obra A Riqueza das   Nações
Livro Livro II
Autor Adam Smith
Data 1776
Semana III
Capítulo Capítulo I I – Do   dinheiro considerado uma parte específica do capital geral da sociedade, ou   dos gastos de manutenção do capital nacional (continuação)
Trechos […] Uma empresa bancária que emite mais   papel do que pode ser empregado na circulação do país, e cujo excesso retorna   de modo contínuo para ser pago, deve aumentar a quantidade de ouro e prata   que ela mantém o tempo todo em seus cofres, não somente em proporção a esse aumento   excessivo de sua circulação, mas em uma proporção muito maior, no caso de   suas notas voltarem muito mais rapidamente do que na proporção do excesso de   sua quantidade. Essas empresas, portanto, devem aumentar o primeiro artigo de   sua despesa, não somente em proporção a essa elevação forçada de seus   negócios, mas em uma proporção muito maior.
Os cofres dessas instituições também,   apesar de terem de ficar muito mais cheios, devem ser esvaziados muito mais   rapidamente do que se seus negócios fossem limitados por restrições mais   razoáveis, e devem exigir não apenas um esforço mais violento, mas também   mais constante e ininterrupto, de controle de despesas para o seu   reabastecimento. A moeda também, que é assim continuamente retirada em   grandes quantidades de seus cofres, não pode ser empregada na circulação do   país. Ela substitui o papel que está além do que pode ser empregado nessa   circulação, e está, portanto, além do que pode ser empregado nela também.   Mas, como essa moeda não pode ficar inativa, ela deve, de uma forma ou de   outra, ser enviada para o mercado externo, no intuito de encontrar um uso   lucrativo que não consegue ter em seu local de origem; e essa exportação   contínua de ouro e prata, ao aumentar a dificuldade, deve necessariamente   aumentar ainda mais as despesas do banco, para encontrar mais ouro e prata   para reabastecer esses cofres, que se esvaziam tão rapidamente. Uma instituição   assim deve, em proporção a esse aumento forçado de seus negócios, aumentar o   segundo artigo de suas despesas ainda mais do que o primeiro.
[…]Em meio a esse clamor e desespero, um   novo banco foi estabelecido na Escócia com propósito expresso de aliviar a   agonia do país. O plano era generoso, mas a execução era imprudente, e a   natureza e as causas do desespero que tinha a intenção de aliviar não foram,   talvez, bem compreendidas. Esse banco era mais liberal do que qualquer outro   que já havia existido tanto na concessão de contas de dinheiro como no   desconto de notas de câmbio. Com relação ao último item, parece não ter feito   quase nenhuma distinção entre as notas reais e circulantes, mas parece ter descontado   todas da mesma forma. Era o princípio manifesto desse banco antecipar , com   qualquer segurança razoável , o capital total que seria empregado nessas   melhorias, cujos retornos são os mais lentos e distantes, como os   aperfeiçoamentos da terra. Para promover essas melhorias, disseram inclusive   que esses eram os principais objetivos públicos para os quais ele havia sido   instituído. Por meio de sua liberalidade na concessão  de contas de dinheiro e no desconto de   notas de câmbio, o banco sem dúvida, emitiu grandes quantidades de suas notas   bancárias, mas essas notas estando a maior parte delas além do que a   circulação do país podia facilmente absorver e empregar, voltavam para ele,   para ser trocadas por ouro e prata tão rapidamente quanto eram emitidas. Seus   cofres nunca ficavam totalmente cheios. O capital que havia sido garantido a   esse banco em duas diferentes subscrições totalizava 160 mil libras, dos   quais somente 80% foi pago . Essa quantia deveria ter sido paga em várias   parcelas. Uma grande parte dos proprietários, quando pagavam sua primeira   parcela, abria uma conta de dinheiro com o banco, e os diretores, por acharem   que deviam tratar seus próprios donos com a mesma liberalidade com que   tratavam todas as outras pessoas, permitiam que muitos deles emprestassem com   essa conta aquilo que pagavam em todas as suas parcelas posteriores. Esses pagamentos,   portanto, somente colocavam em um cofre aquilo que tinha acabado de deixar   outro. Mas se os cofres desse banco ficassem sempre cheios, sua circulação   excessiva devia esvaziá-los mais rápido do que podiam ser reabastecidos de   qualquer outro modo que não aquele ruinoso dos saques de Londres, e quando a   nota vencia, pagando-a junto com os juros e uma comissão por uma retirada no   mesmo lugar. Diziam que, por seus cofres estarem mal abastecidos, eles eram   levados a recorrer a essa prática poucos meses após terem começado a fazer   negócios.
[…] As operações desse banco parecem ter   produzido efeitos bastante opostos em relação às intenções daquelas pessoas   que o planejavam e controlavam. Parece que sua intenção era de apoiar os   empreendimentos vigorosos, como os consideravam , que eram naquela época   realizados em diferentes partes do país; e, ao mesmo tempo, atrair todas as   negociações bancárias para eles próprios, a fim de suplantar todos os outros   bancos escoceses, em especial aqueles estabelecidos em Edimburgo, cujo atraso   no desconto das notas de câmbio causava algumas ofensas. Esse banco sem   dúvida, ofereceu um alívio temporário a esses projetores, e permitiu que   realizassem seus projetos por quase dois anos a mais do que, de outro modo,   teriam feito. No entanto, com isso, ele apenas conseguiu fazer  com que afundassem ainda mais em dívidas e,   quando a ruína chegou, ela pesou muito mais sobre eles e sobre seus credores.   As operações desse banco, portanto, em vez de aliviar, na verdade agravaram   em longo prazo o desespero que esses projetores haviam causado a eles mesmos   e a seu país. Teria sido muito melhor para eles, seus credores e seu país, se   a maior parte deles tivesse sido obrigada a para dois anos antes do que o   fizeram. O alívio temporário, porém, que esse banco proporcionou aos seus   projetores, provou ser um alívio real e permanente aos demais bancos   escoceses. Todos os negociantes, ao circular as notas de câmbio, que esses   outros bancos tinham demorado tanto para descontar, recorreram a esse novo   banco, onde foram recebidos de braços abertos. Esses outros bancos, portanto,   conseguiram deixar com facilidade aquele círculo fatal , do qual, de outro   modo, não teriam conseguido se desvencilhar sem sofrer uma perda considerável   e, talvez, inclusive certo grau de descrédito.
  […] O projeto de reabastecimento de seus   cofres, dessas forma, pode ser comparado ao de um homem que tinha um lago do   qual um fluxo, o tempo todo, saía, e para o qual nenhum fluxo voltava de modo   contínuo, mas que se propunha a mantê-lo sempre igualmente cheio ao empregar   um número de pessoas para continuamente reabastecê-lo com o uso de baldes de   água tirados de um poço que ficava a alguns quilômetros de distância.