(...) «Rico dia! As águas do Guadalquivir corriam sem uma ruga, tão subtilmente que ninguém as via correr. A manhã dealbara. Para o alto, a luz distendia-se, recortando a lilás a opacidade dos montes e a negro as torres das velhas igrejas desmanteladas, já sem beatas... nem sacristães. As muralhas e o minarete de S. Nicolau recortavam-se na brancura fluida do ar. À beira do rio, os moinhos moiros espadanavam a água, num rumor tão doce e cantante que nem adufes e arrabis a chorar os os almorávides.
Rafael ali quedou em suspenso, de olhos no rio, sem pensar sequer que pensava. Afinal, acordou. Ah, mas como o tempo fugia, sem haver nada que o detivesse!
(...)
A torre de Malmuerta despediu seis horas muito lépidas e cristalinas no ar imóvel. E como uma palavra ouvida de passe, os sinos nostálgicos de S. Pedro el Real, de S. Pablo, da Colegiata, à porfia responderam. A volata dos campanários acabou de despertar casas, gente, luz. E, a fazer o sinal do cristão, Córdova, a Córdova que tem de cavar a broa quotidiana que come, abria as ventanas ao açucenal branco do dia.»
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