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(...)«Mas quem pode resistir ao som das castanholas e pandeiretas da Chica Menuda, que vem pelas rexas e agarra ao pândego que passa, como um camarada pelo braço: Homem de Deus, um dia não são dias! Tens tempo de ser velho, velho sisudo, bater no peito, apodrecer na sepultura, ser talvez venerado nos altares. Entra, amigo, chegou aqui uma sevilhana da Giralda que se vira em cima duma perra gorda. Bem certo que a minha vida perdeu o norte. Se o senhor Arcebispo o soubesse, corria-me, como a um cochino, da Sé Catedral. Corria, corria, que ele desde há tempos me faz cara feia. Mas porque perdi eu a vergonha, minha Nossa Senhora? Perdi-a e já não sei como foi. Que força me empurra para o pecado, infeliz de mim?!... Olha, Rafael, sacristão e grão-pecador não condizem. Sacristão e birbante, muito menos.
Verdade que se não fossem os teus pecados e as picarillas da Chica Menuda também hoje não madrugavas tanto a cumprir as tuas obrigações! Haja saúde, santa Madre de Dios e madre de tu madre!»...

                                                     (continua)