Cores e caminhos
cotidiano, reflexão pessoal, amor, metrô de São Paulo, identidade
Romulo Santana* Camisa azul. Me lembro de João, ele já foi para mim, um referencial de autoestima. Certo dia ele já gostou de mim, mas eu não, o feri. Acho que hoje me vejo como um João, uma pessoa bem resolvida consigo mesmo, que gosta de um menino mal resolvido.Amarela, a quatro, onde o deixei. Lhe disse, que eu parecia com João e ele… comigo. Não como referencial de aparência, longe disso. Como se vivesse um “flerte revival”, imagine: como é gostar de alguém que não gosta de você o suficiente, é barra pesada, ou será que isso é não bancar seu sentimento? Whatever! Desci olhando para ele e em seguida para o casal se beijando apaixonadamente, na plataforma em Pinheiros.Esmeralda, a nove. Olho para a margem do rio e penso. Eu não quero forçar ninguém a gostar de mim, isso não é amor. Já dizia Letrux “até o amor ser bom, ele é tão ruim”. Foto por Pixabay em Pexels.com Flores laranjas, na Lilás, a cinco. Não sei identificar quais são as flores carregadas pela senhora preta, que veste trajes listrados. Uma coisa é certa, esta é a primeira ocasião que presencio alguém carregando flores em um vagão do metrô. O cheiro era íntimo, alegre, vibrante e de certa forma nostálgico. A composição não tinha cheiro de cemitério, como o elevador que eu e Ana pegamos na faculdade na semana passada.Amarela, era a cor da camiseta que um dos meninos vestia. Olho para eles. Lindos, íntimos e gostantes o suficiente. Abraçados e apaixonados em beijos envolventes. Seus sorrisos me contagiavam à muitos metros de distância. O Capão não será visto com os mesmos olhos depois dessa noite.Preto, era a cor do carro que peguei na lateral da estação. Recordava de: laranja, a cor do letreiro bem iluminado, do outro lado da Marginal Pinheiros, escrito “UTOPIA”. A utopia, no entanto, é poder te amar. *Aluno do curso de jornalismo da PUC.
Texto originalmente publicado em Revista Fina