Ray Garrety, um adolescente, se inscreve em uma competição chamada de A Longa Marcha. Ao todo, 100 jovens terão que percorrer uma maratona exaustiva, principalmente por ser muito extensa: não há linha de chegada, o último a permanecer de pé é o vencedor. O prêmio? Toda e qualquer coisa que o vencedor queira. Mas é claro que não pode ser tão simples. Os participantes podem receber até no máximo três advertências, caso contrário ganham um cartão azul — ou uma bala na cabeça, como queira chamar — na frente de todos que estiverem assistindo, onde quer que esteja.
É uma história com um enredo simples, e a princípio pode até se pensar que não existe muito o que tirar de uma maratona, afinal, é só caminhar, um pé depois do outro. Só que não é bem assim que acontece. O autor utiliza de sonhos, flashbacks e até mesmo conversa dos personagens para aprofundá-los e te fazer sentir pesar, dor e medo por eles. É certo que 99 jovens vão mesmo morrer, mas você não vai se apegar somente à Garrety, ou McVries ou Stebbins, outros personagens marcantes, e isso vai te deixar angustiado pelo final.
Certamente é um livro que te deixa pensando na motivação dos personagens de terem feito a escolha de se meter nessa situação. Alguns até te contam, mas bem poucos. É também perceptível a crítica sobre como nós decidimos observar tragédias, até mesmo como cúmplices, vaiando, aplaudindo ou somente estando ali, parados na beira da estrada vendo os garotos passando, a vida se esvaindo.
Talvez você esteja ai pensando que já viu esse plot antes, mas esse livro foi escrito em 1979, antes de muitas outras obras que você possa ter relacionado à ele. Pode-se dizer então que Battle Royale (1996), Jogos Vorazes (2008) e até mesmo Black Mirror (2011) e Round 6 (2021) têm elementos e podem ter sido influenciados, já que não é a primeira vez que obras de sucesso possuem grandes toques de King (ou nesse caso, de Bachman).
Mas qual é o motivo de A Longa Marcha ser um livro de um pseudônimo de King? Como esse livro foi escrito na década de 70, em um tempo em que as publicações dos autores estavam limitadas a um livro por ano, nasceu Richard Bachman. Um dos principais motivos do pseudônimo era, de certa forma, para que King não usasse de mais da sua "marca", fazendo os leitores se cansarem. Outro motivo era saber se seu sucesso se tratava mesmo de talento ou pura sorte. A Longa Marcha foi o segundo livro lançado sob o nome de Richard.
Se eu acho a escrita de King e Bachman diferentes? Bem, só li esse livro do pseudônimo ainda (por serem difíceis de ser encontrados até a Suma resolver fazer a boa pra gente hehe) e posso dizer que senti alguma diferença sim, sendo a principal delas não ter nada de sobrenatural no livro. Mas uma coisa posso dizer, o terror em forma de seres humanos está claramente ali, como King faz em suas obras.
Ah! E o final fica meio em aberto... Faz com que você questione mil coisas antes de ter certeza de algo. Eu mesma vou demorar um tanto para digerir as informações e possivelmente minha mente vai escolher um final feliz, depois de tanta tragédia. Não é o livro mais primoroso que já li do autor, mas com certeza um que não vou esquecer.
Título Original: The Long Walk ✦ Autor: Richard Bachman (Stephen King)
Páginas: 288 ✦ Tradução: Regiane Winarski ✦ Editora: Suma
Livros recebidos em parceria com a editora
