| Obra |
A Riqueza das Nações |
| Livro |
Livro I |
| Autor |
Adam Smith |
| Data |
1776 |
| Semana |
V |
| Capítulo |
Capítulo X – Dos salários e lucros nos diferentes empregos de trabalho e capital |
| Trechos |
Parte 2 – Desigualdades pela Política na Europa |
| |
[…] Tais são as desigualdades no total no total das vantagens e desvantagens dos diferentes empregos de trabalho e capital, que a falta de qualquer desses três requisitos anteriormente mencionados deve ocorrer, mesmo onde haja a mais perfeita liberdade. Mas a política da Europa, por não deixar as coisas em perfeita liberdade, causa outras desigualdades de muito maior importância. |
| |
Isso acontece principalmente das três formas a seguir: Primeiro, ao restringir a competição de alguns empregos a um número menor do que, de outro modo, se estaria disposto a ingressar neles; em segundo lugar, aumentando-o em outros além do que poderia acontecer de forma natural; e , em terceiro, ao impedir a livre circulação de trabalho e capital, tanto de emprego como de lugar para lugar. |
| |
[…] O período de sete anos, parece antigamente ter sido, em toda a Europa, o termo usual estabelecido para a duração dos aprendizados na maior parte dos ofícios incorporados. Todas essas incorporações eram no passado chamadas de universidades, que de fato é o nome latino adequado para qualquer que seja a incorporação. |
| |
A universidade dos ferreiros, a universidade dos alfaiates, etc., são expressões que comumente encontramos nos velhos alvarás de antigas cidades. Quando essas incorporações específicas, que são hoje estranhamente chamadas de universidades, foram estabelecidas, o tempo em anos que era preciso estudar para seguir o grau mestre de artes parece obviamente ter sido copiado dos tempos de aprendizado dos ofícios comuns, cujas incorporações são muito mais antigas. Como ter trabalhado sete anos sob um mestre corretamente qualificado era o necessário para que qualquer pessoa tivesse o direito de se tornar um mestre, e para ter adquirido o aprendizado de um ofício comum, então, ter estudado sete anos sob orientação de um mestre qualificado era-lhe necessário para que se tornasse um mestre, professor ou doutor (palavras antigamente sinônimas) nas artes liberais, e ter alunos ou aprendizes (palavras também originalmente sinônimas) para estudarem com ele. |
| |
No quinto édito de Elizabete, comumente chamado de Estatuto de Aprendizado, foi promulgado que ninguém, no futuro, exerceria qualquer ofício, arte ou mistério naquela época exercido na Inglaterra a menos que tivesse previamente exercido a função de aprendiz pelo período de, no mínimo, sete anos, e aquele que era o regimento de muitas corporações particulares se tornou no país a lei geral e pública de todos os ofícios executados em cidades de mercado. |
| |
Pelos termos do estatuto serem muito genéricos e parecerem claramente incluir todo o reino, por interpretação, sua operação foi limitada às cidades de mercado, sendo mantido que nos vilarejos campestres uma pessoa podia exercer vários ofícios diferentes, mesmo não tendo sete anos de aprendizado para cada um deles, por isso era necessário para a comodidade dos habitantes, sendo que seu número não era para a comodidade dos habitantes, sendo que seu número não era habitualmente suficiente para suprir cada um com um conjunto determinado de mãos. |
| |
[…] Na França , a duração dos aprendizados é diferente nas diversas cidades e ofícios. Em Paris, cinco anos é o tempo exigido em vários deles, mas antes que qualquer pessoas esteja qualificada a exercer a atividade na função de mestre, ela deve, em muitas delas, servir mais cinco anos como artesão. Durante esse último período Le é chamado de companheiro de seu mestre, e o próprio termo denomina esse companheirismo. |
| |
Na escócia não existe lei geral para regular universalmente a duração dos aprendizados. O tempo é diferente nas diversas corporações. Onde ele é longo, uma parte pode geralmente ser redimida com o pagamento de uma pequena liberdade de qualquer corporação. |
| |
[…] Três anos na Escócia é um período comum de aprendizado, mesmo para alguns ofícios muito delicados e, e, geral, não conheço nenhum país na Europa em que as leis corporativas sejam menos opressivas. |
| |
A propriedade que todo homem tem em seu próprio ofício, como é fundamento original de toda propriedade, é também a mais sagrada e inviolável. O patrimônio de um pobre está na força e destreza de suas mãos, e impedi-lo de empregar essa força e destreza de suas mãos da forma que ele achar conveniente sem causar danos ao seu próximo é uma violação plena dessa mais sagrada propriedade, assim como uma manifesta usurpação da justa liberdade do trabalhador e daqueles que podem estar dispostos a empregá-los. Pelo fato de o impedir de trabalhar com aquilo que acredita ser conveniente, também impede os outros a empregar quem considerarem inadequados. Julgar se uma pessoa está apta a ser empregada é algo que podemos, certamente, confiar à discrição dos empregadores cujo interesse deve decidir isso. A ansiedade artificial do legislador para que não empreguem uma pessoa inadequada é evidentemente tão impertinente quanto opressiva. |
| |
[…] Os aprendizados eram totalmente desconhecidos pelos antigos. As obrigações recíprocas de mestres e aprendizes são um artigo considerável de todos os códigos modernos. A lei romana não fala absolutamente nada a esse respeito. Não conheço uma só palavra em grego ou em latim (posso arriscar, creio, garantir que não existe nenhuma) que expresse a ideia que hoje conferimos à palavra “aprendiz”, um servo que deverá trabalhar em um determinado ofício para o benefício de um mestre, durante um certo período de anos, na condição de que o mestre lhe ensine esse ofício. |
| |
Aprendizados longos são totalmente desnecessários. As artes, que são muito superiores aos ofícios comuns, como por exemplo, a criação de relógio de parede e de pulso, não contêm mistério algum que exija um curso longo de instrução. A primeira invenção dessas máquinas tão bonitas, de fato, e até mesmo a de alguns dos instrumentos utilizados em sua fabricação, deve, sem dúvida, ter sido resultado de longas horas de desenvolvimento, e essa criação pode ser considerada, simplesmente, uma das mais felizes descobertas da capacidade humana, mas depois de terem sido devidamente inventados e bem compreendidos, explicá-los a um jovem, da forma mais detalhada possível, bem como a aplicação dos instrumentos e a aplicação e como desenvolver as máquinas, o ofício irá exigir apenas algumas aulas de poucas semanas ou dias. Nos ofícios mecânicos comuns, alguns dias poderão bastar para que o aprendiz adquira tal habilidade. A destreza das mãos, na verdade, mesmo em ofícios simples, não pode ser adquirida sem muita prática e experiência, mas um jovem praticaria com muita prática e experiência , mas um jovem praticaria com muito mais cuidado e atenção se, desde o início, já trabalhasse como um artesão, recebendo em proporção ao pouco do trabalho que poderia executar , pagando por sua vez, pelos materiais que ele possa vir, às vezes, a estragar por causa de sua inabilidade e inexperiência. Sua educação seria, dessa forma, mais eficaz, além de muito menos tediosa e cara. |
| |
O mestre, na verdade, sairia perdendo. Perderia todos os salários do aprendiz que ele economiza por todos os sete anos. Por fim, talvez, o próprio aprendiz sairia perdendo. Em um ofício que pode tão facilmente ser aprendido teria mais concorrentes, e seus ganhos, quando se tornasse um trabalhador completo, seriam muito menores do que antes. O mesmo aumento de concorrência reduziria os lucros dos mestres, assim como os salários dos trabalhadores. Os ofícios, as artes e os mistérios, todos teriam prejuízo, mas o público sairia ganhando, pois o trabalho de todos os artífices, dessa forma, custaria muito menos no mercado. |
| |
No intuito de impedir essa redução de preço e, por consequência de salários e lucro, restringindo essa livre concorrência que quase certamente poderia causar, é que todas as corporações, e a maior parte de suas leis, foram estabelecidas. |
| |
Podemos nos dar por satisfeitos com apenas uma observação simples e óbvia de que a indústria das cidades é, por toda a Europa, mas vantajosa do que a do campo, sem a necessidade de detalharmos quaisquer números e índices. Em todos os países da Europa encontramos, no mínimo, cem pessoas que adquiriram grandes fortunas de pequenos investimentos feitos no comércio e nas manufaturas, a indústria que pertence principalmente às cidades, por alguém que pertence primordialmente ao campo, com o cultivo de uma produção bruta por meio do aperfeiçoamento do plantio da terra. A indústria por tanto, deve ser melhor recompensada, os ganhos do trabalho e os lucros do capital devem, obviamente, ser maiores na primeira situação do que na outra, mas o capital e o trabalho naturalmente buscam os empregos mais vantajosos. Eles, de forma natural, portanto, recorrem o máximo possível à cidade, e deixam o campo para trás. |
| |
Os habitantes de uma cidade, reunidos em um espaço físico, podem facilmente se juntar. O mais insignificante dos negócios realizado nas cidades é, da mesma forma, em um lugar ou outro, incorporado, e até mesmo onde eles nunca o foram, o espírito corporativo, a inveja de pessoas de fora, a aversão de se aceitar aprendizes, ou de revelar o segredo de seus negócios geralmente prevalece, e quase sempre o ensinam, por meio de associações e acordos voluntários, a impedir aquela livre concorrência que não podem proibir nos regimentos. Os negócios que empregam apenas um pequeno número de mãos funcionam mais facilmente com essas uniões. Meia dúzia de cardadores de lã talvez sejam necessários para manter o emprego de mil fiandeiros e tecelões. Quando concordam em não aceitar aprendizes, eles podem não apenas monopolizar o emprego, mas reduzir toda a produção em uma espécie de escravidão para eles mesmos, e aumentar o preço de seu trabalho muito acima do que vale de acordo com a natureza de seu ofício. |
| |
Os habitantes do campo, espalhados em lugares distantes, não conseguem se unir com facilidade. Além de nunca terem sido incorporados, o espírito corporativo não prevaleceu entre eles. Nunca acharam que um aprendizado pudesse ser necessário para qualificar alguém para o cultivo agrícola, o grande trabalho do campo. |
| |
Não somente a arte do lavrador, a direção geral das operações do trabalho agrícola, mas muitas ramificações inferiores de trabalho campestre exigem maior cuidado e experiência do que a grande maioria dos ofícios mecânicos. O homem que trabalha com bronze e ferro utiliza instrumentos e materiais cuja têmpera é a mesma, ou quase a mesma, mas o homem que lavra a terra com um grupo de cavalos ou bois usa instrumentos cuja saúde, força e têmpera são muito diferentes em diversos momentos. A condição doas materiais com os quais trabalha é também tão variável quanto a dos instrumentos que ele utiliza, e ambos exigem um uso justo e discreto. O simples lavrador, apesar de geralmente visto como o padrão de simplicidade e ignorância, raramente tem falta de juízo e discrição. Ele está menos acostumado, na realidade, com a interação social do que o mecânico que vive em sua cidade. Sua voz e seu linguajar são mais incultos e mais difíceis de se entender por aqueles que não estão habituados a eles. Sua compreensão, porém, por estar acostumado a levar em conta uma variedade maior de objetos, e geralmente muito superior à do outro, cuja total atenção, do raiar ao fim do dia, geralmente se ocupa em realizar uma ou duas operações muitos simples. O quanto as classes mais baixas do povo no campo são realmente superiores às da cidade é algo bem conhecido de todos, cuja curiosidade e ofício fazem com que precisem conversar bastante com os dois. Assim, na China e no Industão, dizem que tanto a classe dos como os salários dos trabalhadores do campo são superiores aos da maioria dos artífices e manufatureiros. Isso seria assim em toda a parte se as leis e o espírito corporativo não criassem um empecilho. |
| |
As pessoas do mesmo ramo de negócios raramente se encontram, nem mesmo por prazer e diversão, pois as conversas terminam em uma conspiração contra o público ou em algum tipo de maquinação para o aumento de preços. É impossível, na verdade, impedir tais encontros, por qualquer lei que pudesse vir a ser executada ou que tivesse de acordo com a liberdade e justiça, mas, apesar de a lei não conseguir impedir as pessoas de um mesmo negócio de, às vezes, reunirem-se, ela deveria fazer o possível para não facilitar essas associações e muito menos torná-las necessárias. |
| |
Um regulamento que obriga todas as pessoas de um mesmo negócio em uma determinada cidade a registrar seus nomes e endereços em cartórios públicos facilita essas associações. Ele une indivíduos que, do contrário, jamais se conheceriam, e dá a todos eles uma direção de onde encontrar seus pares. |
| |
Uma regulamentação que possibilita que as pessoas de um mesmo negócio se tributem no intuito de preparar a subsistência de seus pobres, doentes, viúvas e órfãos, oferecendo-lhes um interesse comum com o qual sobreviver, torna essas associações necessárias. |
| |
O pretexto de que as corporações são necessárias para o aperfeiçoamento do negócio não tem fundamento. A disciplina real e efetiva que é exercida em um trabalhador não é a sua corporação, mas a de seus clientes. É o medo de perder seu emprego que o impede de cometer fraudes e o faz corrigir sua negligência. Uma corporação exclusiva necessariamente enfraquece a força de sua disciplina. Um determinado grupo de trabalhadores deve, então ser empregado, e este por sua vez, deverá agir bem ou mal. É por essa razão que em muitas grandes cidades incorporadas nenhum trabalhador regular será encontrado, nem mesmo nos ofícios mais necessários. Se executar seu trabalho de modo sofrível, isso só poderá acontecer nos subúrbios, onde os trabalhadores, sem nenhum privilégio exclusivo, não possuem nada com que contar além de seu caráter, e você deve, então, trazê-lo para a cidade de uma forma ou outra. |
| |
É dessa maneira que, a política da Europa, ao restringir a concorrência em alguns empregos a um número menor de pessoas do que, de outro modo, estariam dispostas a ingressar neles, causa uma desigualdade muito importante no total das vantagens e desvantagens dos diferentes empregos de trabalho e capital. |
| |
[…] Foi considerado de grande importância que um número adequado de jovens fosse educado para determinadas profissões, mas às vezes, o público e, por vezes, a piedade de instituições particulares estabelecem muitas pensões, bolsas de estudo, exposições, tesourarias, etc., para esse fim, o que atrai muito mais pessoas para esse ofício do que, de outro modo, escolheriam segui-las. Em todos os países cristãos, creio, a educação da maioria dos padres é paga dessa forma. Pouquíssimos deles pagam suas próprias despesas. A educação longa, tediosa e cara, portanto, desses homens, nem sempre lhes irá assegurar uma remuneração adequada, já que as igrejas são lotadas de pessoas que, para conseguir um emprego, estão dispostas a aceitar uma remuneração muito menor do que a educação lhes poderia, de outro modo , oferecer; e, dessa forma, a concorrência dos pobres se apodera da recompensa dos ricos. Seria indecente, sem dúvida, compararmos um curador ou um capelão com um artesão de qualquer ofício comum. O salário de um curador ou de um capelão, porém pode perfeitamente ser considerado como sendo da mesma natureza dos salários de um artesão. Eles são os três, pagos por seu trabalho de acordo com o contrato que fazem com seus respectivos superiores. |
| |
[…] Nas profissões em que não há benefícios, assim como no direito e na medicina, se a educação de uma igual proporção de pessoas fosse custeada pelo poder público, a competição logo seria tão grande a ponto de fazer despencar sua recompensa pecuniária. Não seria preciso, então, que nenhum homem educasse seu filho para nenhuma dessas duas profissões à própria custa. Eles seriam abandonados, assim como os educados por instituições públicas, cujo número e necessidades os obrigariam, em geral, a se contentar com uma mísera recompensa, para a completa degradação daquelas que são agora chamadas de as respeitáveis profissões do direito e da medicina. |
| |
Aquela desafortunada raça de homens comumente conhecidos como homens de letras está muito mais na situação em que os advogados e médicos estariam na suposição anterior. |
| |
Por todos os lados da Europa, a maior parte deles foi educada pela Igreja, mas foram, por inúmeras razões, impedidos de ingressar nas ordens sagradas. De modo geral, portanto, foram educados à custa pública, e seus números são em toda parte tão expressivos que geralmente reduzem o preço de seu trabalho a uma reles recompensa. |
| |
[…] A proporção entre as diferentes taxas dos salários e do lucro nos diversos empregos de trabalho e capital parece não ser muito afetada, como já pudemos observar, pela riqueza ou pobreza, pelo estado avançado, estacionário ou declinante da sociedade. Essas revoluções no bem estar público, apesar de afetarem as cotações gerais, tanto dos salários quanto do lucro, no fim devem afetá-los por igual em todos os diferentes empregos. A proporção entre eles, portanto, deve permanecer a mesma, e não pode ser propriamente alterada, ao menos por um tempo considerável, por qualquer dessas revoluções. |